segunda-feira, 8 de abril de 2013

Amazônia: um Paraíso que a Estupidez Humana Deixa se Perder


“Para que o mal triunfe basta que os bons não façam nada.”
(E. Burke)
A beleza da Amazônia, retratada por Araquém Alcântara
Li ontem uma reportagem triste e realista sobre a Amazônia, com fotos ilustrando. O autor da matéria e das fotos é o renomado fotógrafo Araquém Alcântara, cujo currículo arrecada vários livros publicados e prêmios jornalísticos.

A matéria estremeceu meu coração. O que estamos fazendo? Que tipo de poder está nos cegando? Por que não reagimos em conjunto?

Relatei aqui, na postagem anterior, a visita de uma Hierarquia que nos pediu orações pelos  povos indígenas. Ao ler a matéria de Araquém, lembrei-me desse pedido. Ao permitirmos a destruição das nossas reservas florestais, estamos ao mesmo tempo destruindo o que resta de civilização indígena. Ao cruzarmos os braços diante dessa calamidade terrível, demonstramos também todo o nosso descaso e descompromisso com o Reino Animal e o Reino Vegetal. E assinamos, ao mesmo tempo, nossa sentença de morte. Estamos matando nossa origem indígena, ao invés de honrá-la; estamos criando um mundo tecnológico onde não há lugar para a natureza. Cegos, esquecemos que sem árvores não há vida.

A matéria de Araquém é um forte alerta, para nossa reflexão. Caso seu coração seja tocado, repasse o link. Precisamos tocar as consciências! Precisamos nos indignar! Mais - precisamos agir! O poder não está fora, lembre-se. Não há poder maior do que a união das pessoas. Citando Margareth Mead: "Nunca duvide da capacidade de um pequeno grupo de dedicados cidadãos para mudar os rumos do planeta. Na verdade, eles são a única esperança de que isso possa ocorrer".

A FERRO E FOGO - Araquém Alcântara (publicada em dezembro/2012)

A Amazônia arde porque nossa omissão permite
este crime ambiental inominável.
Foto: Araquém Alcântara
Neste exato momento, bem diante dos meus olhos, a maior floresta tropical da Terra arde no calor das queimadas. Labaredas de fogo brilham na cortina de fumaça e tingem de vermelho o horizonte. O jornal de hoje comemora a queda do desmatamento em 40 por cento relativamente ao ano passado e eu quase não consigo ver nem respirar. O fogo e a fumaça escondem o sol, os olhos ardem, o calor é insuportável.

Percorro mais de mil quilômetros na Belém-Brasília e só vejo um paredão cinza de fumaça, o cheiro da terra calcinada, o gado pastando em áreas desmatadas, as carvoarias engolindo madeira.

A cena se repete todo ano, entra governo e sai governo, entra ministro e sai ministro.
O jornal fala que alguns milhares de quilômetros foram desmatados e compara com a área da Bélgica (por que sempre a Bélgica ?). Meu sentimento é de revolta e perplexidade. Só quem anda por aqui é que sabe que a grande floresta não tem mais como suportar, atingiu o seu limite. Ela está realmente se fragmentando e já é possível prever uma Amazônia dilacerada, sem produzir chuva e completamente modificada na sua fisionomia original.

Amazônia: assistiremos, passivos, a sua morte?
Foto: Araquém Alcântara
A destruição da floresta escancara nosso descaso, nossa conivência com o crime inominável.

Estamos permitindo a desertificação do maior laboratório científico de nossa civilização, sem ao menos conhecê-lo e estudá-lo. O que dói na alma é que os cientistas afirmam que dentro desta mata dilacerada é possível existir milhares de produtos que podem revolucionar a saúde do planeta.

A ação do fogo e da motosserra já consumiram 17 % da Amazônia , ou seja 70 milhões de hectares, o equivalente à área do Espírito Santo, Minas Gerais e Rio de Janeiro juntas. Mais de um bilhão de árvores já tombaram e, pelo menos, 32 milhões de animais foram mortos ou desalojados.

Dirão alguns que a questão não é tão grave, já que a Amazônia ainda está sob ocupação humana das mais ralas e há regiões com as dimensões dos países europeus que continuam intactas.
Amazônia, patrimônio magnífico, fonte de vida.
Foto: Araquém Alcântara
Dirão outros que a floresta é um celeiro inesgotável , já que dentro dela caberia praticamente toda a Europa, excluindo os países da antiga União Soviética.


O bioma amazônico, espalhado por nove países da América do Sul, tem 6,6 milhões de quilômetros quadrados; ao Brasil pertence 65 % do total, com 4,2 quilômetros quadrados de floresta por onde escorre um quinto da água doce do planeta. Não há outro lugar no mundo com tamanha variedade de espécies de pássaros, peixes e insetos. Numa área de algumas centenas de metros quadrados da floresta, existe mais diversidade de plantas do que em toda a Europa.

Ainda se pode viajar dias e dias por muitos rios da floresta sem ver um ser humano nas margens, mas, em regiões mais adensadas populacionalmente, a devastação e o extermínio de animais é algo simplesmente aterrador.

A terra nua e tomada por voçorocas que se estende por longas áreas, também hoje, catastroficamente presente nos biomas do cerrado e da caatinga, coloca por terra o mito da superambundância e da inesgotabilidade dos recursos florestais do país.

De modo gradativo, a Amazônia está sendo comida pelas queimadas, pelo furor das serrarias, poluição dos garimpos , instalação de fazendas de gado em várzeas que funcionam como berçários de peixes; pelo crescimento urbano, represas e pela exploração descontrolada de seus recursos naturais.

Não há conhecimento, nem respeito. Os políticos não conhecem a floresta, permanecem trancados em seus gabinetes e em sua ignorância.
Amazônia: estamos cegos e surdos ante a estupidez
da sua devastação?
Foto: Araquém Alcântara
A questão amazônica não encontra eco na sociedade. Parece que a Amazônia é problema dos outros; parece que os 20 milhões de brasileiros que lá vivem não precisam de médico, dentista, mantimentos e dignidade.

Ninguém sabe quem são os verdadeiros proprietários de terra na Amazônia. Apenas 5 por cento do valor total das multas ambientais são arrecadados. O código ambiental brasileiro é uma excrecência. A corrupção é a maior arma dos grileiros. Grupos de políticos, fazendeiros e madeireiros formam quadrilhas que agem como se fossem mais poderosos que o Estado.

Por que não dizemos basta a tanta destruição? Por que somos tão passivos? Por que permitimos que os governos ignorem a ganância dos senhores de terras, a voracidade das grandes madeireiras, o enriquecimento ilícito, as carvoarias e mineradoras ilegais, o garimpo sangrando a terra. Tudo em nome de um progresso que enriquece alguns indivíduos e empresas e deixa o povo na mais absoluta miséria.

O que está acontecendo agora no Estado do Pará é inaceitável: trabalho escravo, corrupção, uso de violência, invasão e ocupação ilegal de terras públicas, a degradação sistemática dos recursos naturais. Destruição que ameaça não apenas a floresta ou as comunidades tradicionais, que dela dependem para sobreviver, mas a integridade da própria Constituição brasileira e o futuro do país.

Onde havia vida vibrante e pulsante, restam apenas
fumaça, cinzas e o espectro triste da grande árvore calcinada.
Foto: Araquém Alcântara
Por que séculos de maravilhosa construção, são destroçados num único gesto?

Os cientistas dizem que é urgente uma moratória nacional para conter a destruição da floresta e que o governo assuma a responsabilidade que lhe cabe de criar um novo modelo social e econômico voltado para os interesses dos 20 milhões de amazônidas.

É urgente também, dizem os cientistas, que se implemente uma revolução científico-tecnológica na Amazônia, com a formação de técnicos de alta especialização nas mais diversas áreas científicas, para ocupar e conhecer esse laboratório.

E uma outra revolução mais sutil, mas igualmente importante: a mudança no modo como encaramos a Amazônia, a resposta do que realmente queremos para a Amazônia. Os estoques de riquezas naturais que ela possui são cobiçados sim pelas potências internacionais e isso exige uma mudança de atitude, uma presença efetiva, um grande esforço de toda a sociedade.

Visão do paraíso ameaçado.
Foto: Araquém Alcântara
Precisamos lembrar que a Amazônia pode chegar ao ponto da Mata Atlântica que foi praticamente dizimada. Ela tinha mais de 1 milhão de quilômetros quadrados, o equivalente a 12 por cento da área do pais. Séculos de exploração madeireira, avanço agrícola e crescimento urbano destruíram mais de 90 por cento da mata original. 

Sobraram de 5 a 8 por cento da paisagem avistada por Cabral.

De um modo trágico e desesperado, este é o último serviço que a liquidação da Mata Atlântica pode prestar aos brasileiros : um clamor surdo por indignação, atitude e patriotismo. 

terça-feira, 26 de março de 2013

Amor e Rejeição Como Aprendizagem


"Meu coração triste, meu coração ermo,
Tornado a substância dispersa e negada
Do vento sem forma, da noite sem termo,
Do abismo e do nada!" 
(Fernando Pessoa)

"Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, 
aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim
."
(Vinícius de Moraes)

Existe coisa mais difícil de digerir do que a rejeição? É um sentimento que desestabiliza e provoca muita dor. Ficamos meio sem norte, meio sem chão quando nos sentimos rejeitados. E muitos sucumbem nessa dor.

O texto abaixo é um dos melhores que já li sobre o tema. Uma abordagem profunda que nos mostra uma maneira nova de repensar o assunto. Confira:

"Amor e Rejeição. Esta é a dor mais profunda que o ego pode sentir. Quando isto acontece e inevitavelmente um dia acontece, o sentimento de perda é brutal. O mundo se abre a nossos pés e nada mais importa ou tem valor na vida. Todas as nossas esperanças de amar e ser amado se desvanecem. Uma profunda depressão é o resultado do sentimento de perda se isso não for contido a tempo. Os olhos perdem o brilho e o mundo torna-se cinzento.

Esse processo pode levar anos para se desfazer e isso pode destruir totalmente a vida da pessoa. Torna-se amargo e ressentido. A um passo do desespero e de atos impensados. Quantos suicídios vêem daí?

A rejeição nos atinge desta forma porque achamos que não temos nenhum valor. Não passa pela nossa cabeça que isso não é um problema nosso; é um problema do outro. Quem está rejeitando é o outro.

Quando se tem o conhecimento e o controle da nossa própria produção de neurotransmissores e hormônios este sentimento de rejeição pode ser resolvido em questão de horas ou dias no máximo. Todo sentimento tem uma base bioquímica. É uma via de mão dupla. É possível criar e descriar. Então podemos tratar a situação de forma racional.

O que devemos fazer numa situação assim?

O senso comum nos diz para rejeitar também e talvez até odiar a outra pessoa. É um contra-ataque lógico. Neste caso a lógica não funciona.

O que devemos fazer é continuar amando, emanando amor como sempre fizemos.

Não importa o que o outro faz devemos continuar amando sempre. E não é um amor impessoal. É com o mesmo amor que sentíamos. Na verdade não deve haver nenhuma interrupção deste sentimento. Independentemente do que o outro faça. O amor não deve cessar nunca. Desta forma a dor não se instala e continuaremos felizes.

Isto pode parecer utópico e impossível para quem lê apressadamente. Podem achar que isso não existe. Que é teoria e romantismo. Não é.

Isso é absolutamente real e possível. Quando se atinge um nível de fusão com o Criador isso passa a ser o normal. Aliás, não poderia ser de outra forma. Quando nos tornamos amor só podemos amar. Não há como ser diferente. É uma felicidade contínua. Amamos independente das circunstâncias. Mesmo rejeitados continuamos amando o outro.
Continuaremos tratando bem, comunicando-nos, amando como sempre, embora não possamos expressar em sua totalidade o amor que sentimos. Porque esse é um problema criado pelo outro.



Esta é a única solução que existe. A única solução que funciona. A única atitude que podemos tomar para manter a nossa felicidade.

Continuar amando sem cessar, pois o amor é tudo na vida".

(Prof. Hélio Couto - www.profheliocouto.com.br)

sexta-feira, 22 de março de 2013

Água e Consciência

Este ano, a temática escolhida pela Organização das Nações Unidas para o Dia Mundial da Água é: "Ano Internacional de Cooperação pela Água". A grande preocupação é o aumento da demanda e a crescente contaminação das fontes.
O nosso planeta, a nossa Mãe Terra espera de nós uma maior conscientização, imediatamente. Não há mais como continuarmos desperdiçando, não há mais como continuarmos poluindo, não há mais como perpetuarmos nossos hábitos nocivos. 
Você sabia que a pecuária é responsável por grande parte da poluição da água? 
Você sabia que para produzir cada quilo de carne bovina são utilizados cerca da 43 mil litros de água?
Segundo os cientistas, as populações serão obrigadas, num futuro próximo, a se tornarem vegetarianas, simplesmente porque não terá mais como continuar desmatando e contaminando o planeta para ter um bife no prato!

Vale a pena rever alguns trechos da instrutiva mensagem de Trigueirinho sobre o desequilíbrio do uso da água no nosso planeta:

"No campo do amor, que é a lei básica do universo, estamos um pouco longe de corresponder ao sentimento fraterno. É claro que a situação que vamos agora comentar não será solucionada por um ou outro indivíduo bem intencionado. A solução desse desequilíbrio dependeria de uma conscientização geral na humanidade e também do carma de certos grupos humanos. Mas os que se destinam a estimular o surgimento de uma nova humanidade na terra futura, podem ir se preparando para, em próximas vidas, buscar uma maior igualdade entre os seus irmãos da raça humana".

"Fala-se em fraternidade e no amor ao próximo, no entanto, convive-se com uma desequilibrada distribuição de bens - e o que é mais grave: de bens naturais, que ainda não temos a menor intenção de repartir!"

"Na mensagem de hoje trazemos um dado inconcebível no que diz respeito à distribuição e ao uso da água, que é uma doação da natureza aos reinos existentes no planeta. Essa dádiva da natureza, que seria para todos, é consumida de forma desproporcionada entre os seres humanos que se dizem irmãos – ou melhor – se dizem todos filhos de Deus. Veja-se que tipo de organização geográfica e social promovemos e com a qual pactuamos sem o menor peso na consciência."

"Veja: nos países considerados desenvolvidos, estima-se que o consumo de água seja de 560 litros por pessoa por dia. Esses são países lideres em comércio, economia e política. 560 litros de água é o que cada cidadão em média consome ou consumiria. Já nas regiões consideradas muito pobres, esse consumo diário é de 10 a 20 litros por pessoa. De 560 para 20 temos uma diferença que, em princípio, pode ser considerada inacreditável. Mas o desequilíbrio não termina aí. Enquanto em um país rico cada pessoa gasta 560 litros e em um país pobre apenas 20, em partes da África e regiões desérticas cada ser humano consome, segundo estatísticas oficiais, menos de 10 litros (quando não vivem em áreas quase totalmente secas)."

"... São números que causam constrangimento em pessoas mais sensíveis! Porque são o retrato típico do desequilíbrio de bens materiais na humanidade, e por que não dizer - o retrato do desperdício. Em lugares tidos como civilizados, onde as pessoas chegam a consumir tanta água - 560 litros por dia! É óbvio que temos a considerar o carma das regiões, o carma de seus habitantes, enfim. No entanto, todo ser humano que tem aberto os olhos na direção da fraternidade sente-se tocado por estas notícias."

Conscientizemo-nos todos. Tomemos uma atitude, saindo dessa aparentemente confortável posição. Experimente mudar. Você vai ver que não é tão difícil.

terça-feira, 19 de março de 2013

A Incomparável Sabedoria Indígena


“Eu estou cego e não vejo as coisas deste mundo; mas quando a Luz desce do Alto e ilumina o meu coração, então vejo, porque o olho do coração tudo vê. O coração é um santuário no centro do qual existe um pequeno espaço onde o Grande Espírito vive, e este espaço é o olho. É o Olho do Grande Espírito, com o qual Ele vê todas as coisas e através do qual nós O podemos ver. Se o coração não é puro o Grande Espírito não pode ser visto, e a alma daquele que morre nessa ignorância não pode regressar imediatamente para o Grande Espírito; ela terá de ser purificada através da vivência na terra. Para conheceres o centro do coração onde reside o Grande Espírito terás de ser bom e puro e viver da forma que o Grande Espírito nos ensinou. O homem que for assim puro contém o Universo no espaço do seu coração.” (Alce Negro, Xamã Sioux)

“Diga-me e eu vou esquecer. Mostre-me e eu posso não me lembrar. Envolva-me e eu vou entender.” (Provérbio indígena - Nativos americanos)

“Vocês têm histórias para contar e que são o que vai manter a memória de um grande povo vivo. Passem essas histórias para seus filhos. Ensine-os quem, onde e como seu povo era. Dediquem tempo para pesquisar sua descendência. Sintonizem com seus sentimentos e sejam fortes em sua busca. Tracem seus caminhos, sintam satisfação em saber que o final do arco-íris que vocês têm buscado pode ser encontrado no dedão do pé em seu mocassin, após perceber quem nós somos e o que nós temos." (Chefe John "Eagle Spirit"  - Cherokee)

"Nós índios, olhamos para esse mundo do homem branco e verificamos que essa civilização não deu certo." (Marcos Terena ; do povo Terena, do Mato Grosso do Sul)

“Somente quando for cortada a última árvore, pescado o último peixe, poluído o último rio, as pessoas vão perceber que não podem comer dinheiro.” (Provérbio indígena)

"Não digo: eu descobri esta terra porque meus olhos caíram sobre ela, portanto a possuo. Ela existe desde sempre, antes de mim." (Davi Yanomami ; pajé e líder do povo Yanomami)

“Somos todos visitantes deste tempo, deste lugar. Estamos só de passagem. O nosso objetivo é observar, crescer, amar... E depois voltamos para casa." (Provérbio aborígene)

"Os pensamentos são como flechas: uma vez lançadas, alcançam o seu alvo. Seja cauteloso ou poderá um dia vir a ser vítima de si próprio." (Provérbio Navajo)

"Você vai me dizer: o índio tá falando, mas é selvagem; selvagens são vocês: milhares de anos estudando e nunca aprenderam a ser civilização. Pra que você está estudando ? Pra destruir a Natureza e no fim destruir a própria vida ?" (José Luiz Xavante)

"Lembre-se de que seus filhos não são sua propriedade! Eles foram apenas confiados à sua guarda pelo Grande Espírito." (Provérbio Mohawk)

"O mundo deles é quadrado, eles moram em casas que parecem caixas, trabalham dentro de outras caixas, e para irem de uma caixa à outra, entram em caixas que andam. Eles vêem tudo separado, porque são o Povo das Caixas...." (Pajé do povo Kaingang)

“Tudo está ligado, como o sangue que une uma família. Todas as coisas estão ligadas. O que acontece a Terra recai sobre os filhos da Terra. Não foi o homem que teceu a trama da vida. Ele é só um fio dentro dela. Tudo o que ele fizer à teia estará fazendo a si mesmo.” (Chefe Sioux)

"As leis dos homens mudam de acordo com o seu conhecimento e compreensão. Apenas as leis do Espírito permanecem sempre as mesmas." (Provérbio Crow)

"Se falar com os animais eles falarão consigo e vocês vão-se conhecer um ao outro. Se não falar com eles, não os conhecerá, e o que não se conhece, teme-se. E aquilo que tememos, destruímos." (Chefe Dan George (Índio norte americano)

“Eu sou o vento que viaja de uma direção para outra, carregando e distribuindo as sementes da vida. Feito a neve, as minhas sementes desaparecem na terra, reaparecendo sob uma nova forma. Eu sou o grito do recém-nascido que sente a primeira dor da separação. Eu sou o grito de toda a vida que alcança o mistério da verdadeira consciência. Eu sou o eterno. Agora da criação, eu Sou o Espaço através do qual viaja o tempo. Através de mim você experimenta os dons da reflexão, esperança, sabedoria e assim você poderá conhecer a si mesmo. Conhecer-se como Criador e criatura, menor que um grão de poeira e tão grande quanto o Deus que você louva.” (Chefe Archie Fire Lame Deer)

“Vocês devem ter notado que tudo o que o índio faz movimenta-se em círculo ou tem forma de círculo. O Poder do Mundo trabalha sempre de forma circular e tudo tende a ter a perfeição do círculo. O céu é redondo e a terra também, bem como as estrelas. O vento rodopia e os pássaros constroem seus ninhos de forma circular; as leis deles são semelhantes às nossas. Até mesmos as estações seguem uma grande roda nas suas mudanças, voltando sempre ao ponto de partida. A vida do homem é um círculo: de uma infância à outra. E assim é em tudo onde o poder se movimenta.” (Alce Negro, Xamã Sioux)

sexta-feira, 15 de março de 2013

Sinais de Alerta

Para onde nós dirigirmos nosso olhar, no globo terrestre, vemos sinais de alerta preocupantes. Sinais que nos mostram claramente: estamos no fim da linha. Esse caminho escolhido pela humanidade está completamente equivocado. Mudanças climáticas, degelo das calotas polares, poluição dos rios e dos mares, chuva ácida... tudo isso são fragmentos de uma realidade nada promissora. E o ser humano ainda dorme. Ainda deixa para tomar decisões amanhã. Ainda acha que não tem nada a ver com o que está aí fora...

As abelhas estão sumindo. Você sabia disso?  "As abelhas estão sumindo" é uma frase apocalíptica. Sabe por que?

"Se as abelhas desaparecessem da face da terra, a espécie humana teria somente mais quatro anos de vida. Sem abelhas não há polinização, ou seja, sem plantas, sem animais, sem homens." (Albert Einstein) 

"Mas que exagero!" - poderíamos dizer. "Como um animalzinho tão pequeno pode determinar a extinção da espécie humana?"

Poucos sabem como as abelhas são indispensáveis ao meio ambiente. Pensar que a única função das abelhas é fabricar o mel é desconhecer o grande papel de polinização prestado eficientemente por essas operárias incansáveis. Para se ter uma pequena idéia da importância das abelhas, basta dizer que elas são responsáveis pela polinização de 80% das espécies vegetais no mundo. 80%! Para o biólogo norte-americano Edward O. Wilson, o desaparecimento das abelhas pode ser considerado o "Katrina" da entomologia (referência ao furacão que matou milhares de pessoas nos EUA).

E, no entanto, elas estão simplesmente de-sa-pa-re-cen-do. Misteriosamente. Em todo o planeta. E as causas? Há muitas. Os estudos realizados até agora apontam o cultivo das monoculturas e o uso de agrotóxicos como os principais responsáveis, além de antenas de celulares e outros artefatos da nossa "moderna" civilização, sem falar do desmatamento (nos últimos anos perdemos mais de 100 milhões de hectares de floresta no mundo).

A Revista Carta Maior de fevereiro deste ano publicou uma matéria sobre o assunto, afirmando que o Brasil é o campeão mundial no uso de agrotóxicos. Sinais.

Monsanto e Transgênicos

Paralelamente, outra notícia séria (eu diria catastrófica): a Monsanto, responsável pela maior parte dos alimentos transgênicos no planeta, abriu, neste mês de março, uma filial em Petrolina, estado de Pernambuco.
Quem ainda tinha dúvidas sobre o efeito nocivo dos transgênicos no organismo, não precisa ter mais: pesquisa recente realizada na França pelo professor Gilles-Eric Séralini, da Universidade de Caen, provou o mal que esses alimentos trazem à saúde, provocando tumores cancerígenos, alergias, problemas renais, glandulares, hepáticos etc.

Se quiser saber mais sobre esse monstro de multinacional, acesse o vídeo chamado "O Mundo Segundo a Monsanto": 


Trata-se de um excelente documentário baseado no livro com o mesmo nome, mostrando de que forma essa famigerada empresa vem patenteando sementes transgênicas e introduzindo-as em países emergentes, como o Brasil. Sinta-se o perigo: as sementes transgênicas da Monsanto são resistentes somente aos pesticidas fabricados por ela própria, como a soja, que é imune ao "Roundup", fabricado e patenteado pela Monsanto. 

Como funciona isso? Funciona assim: plantamos as sementes transgênicas; o pólen destas sementes fatalmente contamina outras culturas do entorno, que passam a produzir sementes com as mesmas características das transgênicas; daí, a Monsanto processa os produtores vizinhos, exigindo que paguem royalties por estar produzindo sementes que foram patenteadas por ela. E a conclusão é que essa multinacional vai se tornando proprietária de um sem-número de sementes.

Caso os governos continuarem prestigiando essa monstruosidade, num futuro muito breve poderemos não ter mais sementes puras no planeta. E a maior parte da nossa agricultura dependerá da Monsanto.  

O que significa isso tudo? 

Sinais. Efeitos externos de um mundo em crise. Efeitos que exigem de nós mudança. Não dá mais para cruzarmos os braços e deixarmos para amanhã o que temos de fazer hoje. Não dá mais para fazermos parte da maioria passiva, que acha que tudo cai do céu ou que apenas as autoridades são responsáveis. Externamente, estamos vivendo uma realidade mais que assustadora. Todos estes sintomas de falência da nossa civilização estão aí bem visíveis e são responsabilidade nossa. Precisamos olhar para eles e admitir que falimos. E humildemente, de mãos dadas, trabalhar juntos para refazer este mundo, noutras bases. Com foco na consciência e não no poder ou nas vantagens materiais. Com foco na unidade. Com foco no amor.

"É triste pensar que a natureza fala e que o gênero humano não a ouve", disse Victor Hugo.

Vão-se as abelhas, prosperam os transgênicos, a natureza literalmente estertora, a humanidade fenece. Se não temos coragem de olhar para dentro de nós mesmos e reestruturar nossas bases internas, como vamos consertar o que está fora?

Os tempos urgem. Invoquemos nossa força interna para nos transformarmos agora. Peçamos luz, consciência, discernimento. Não dá mais para dormir. Os sinais são um alerta para despertarmos. Dentro de nós está o poder.  

quinta-feira, 7 de março de 2013

O Grito das Gaivotas


" Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor de nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores, matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa, 
rouba-nos a luz 
e, conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada." 

(Maiakovski)

Precisamos acordar urgentemente. Precisamos nos conscientizar de que somos mais do que tudo isto que está aí em volta. Precisamos reconstruir a vida, reconstruindo a nós mesmos.
Recebi um vídeo ontem que me deixou engasgada, precisando falar, precisando escrever. É um vídeo feito numa ilha do Pacífico desabitada de seres humanos, a 2 mil milhas da costa, ou seja, a uma distância considerável do continente. A ilha é habitada principalmente por gaivotas, que estão morrendo às centenas, todos os dias, devido aos resíduos plásticos que engolem, pensando ser comida. Temos que ver isto. Temos que mostrar isto, para ver se saimos dessa letargia! 


Há muito a ser repensado, há muito a ser reconstruído, urgentemente. O que está fora é o reflexo do que está dentro. Isto é uma lei. Não há como dissociar a nossa realidade externa daquilo que estamos guardando dentro de nós. O horror na terra é o resultado da minha, da sua, da sombra de todos nós somada. Essa sombra, por não a encararmos de frente, torna-se cada dia mais poderosa e ampla, enegrecendo o mundo à nossa volta, incitando-nos a praticar mais e mais crimes abomináveis contra a natureza, contra os animais, contra o próximo, contra nós mesmos. Essa sombra não pode mais ser ignorada. 

"Pode parecer uma perspectiva lúgubre, porém, na verdade, o primeiro passo para lidar com a sombra é reconhecer seu poder. A natureza humana inclui um lado autodestrutivo. Quando o psicólogo suíço Carl Jung pressupôs o arquétipo da sombra, disse que ela cria uma névoa de ilusão que cerca o self. Encurralados nessa névoa, lançamo-nos à própria escuridão e, consequentemente, damos à sombra cada vez mais poder sobre nós." (Deepak Chopra, O Efeito Sombra).

Tentar ignorar a sombra pensando só na luz não resolve. Pensar que estamos na luz e não temos sombra é uma ilusão. Acreditar que a sombra é coisa dos outros e que não temos responsabilidade com o mal que vemos fora é falta de visão e autoconhecimento. Enquanto não criarmos coragem para encarar nossa sombra pessoal não estaremos ajudando a reconstruir o mundo, por mais que mentalizemos a luz. A sombra do mundo continuará devastando mundos e almas impiedosamente. O primeiro passo é aceitar. Aceito que tenho uma sombra. O simples fato de aceitá-la fornece a coragem de olhar para ela. Então, a partir daí, começa-se a despertar um poder: o Hércules interno, que pacientemente, etapa por etapa, vai destruindo os obstáculos que nos distanciam da luz. 

Em última análise, o que é a sombra? Ausência de luz. Luz é consciência. Podemos manter um cômodo da nossa casa eternamente fechado, com medo dos demônios que possam povoá-lo. Quanto mais medo tivermos, mais nos manteremos comodamente afastados do cômodo, que continuará fechado e sombrio. Mas se decidirmos entrar no cômodo, abrir as portas e janelas para que a luz penetre no seu interior, veremos as sombras se dissiparem imediatamente. Nada resiste à luz da consciência.

Estamos paralisados de medo. Não queremos ouvir o grito das gaivotas, porque o grito das gaivotas é o grito das nossas almas aprisionadas. Fingimos que estamos fazendo alguma coisa pensando só na luz. E o simples fato de ignorarmos a sombra torna-a mais e mais poderosa, mais e mais tenebrosa. Não estou querendo dizer com isto que não devemos nos  voltar para luz. É claro que precisamos pensar na luz, orar, meditar e tudo o mais que possamos fazer para atraí-la. Mas façamos isto sem fugir da nossa sombra. Paralelamente às nossas mentalizações positivas, é necessário coragem para abrirmos nossa "caixa preta" de sombras. Olhar para ela, assumir que ela é nossa é jogar a luz da consciência nessa caixa.

"O mal é bem mais profundo do que o concebem os códigos morais. Ele é 'antivida'. A vida é uma força pulsante e dinâmica; é energia e consciência que se manifestam de muitas maneiras. Não existe o mal, a menos que exista resistência à vida. Essa resistência é a manifestação daquilo a que chamamos 'mal'. O que cria o mal é a distorção da energia e da consciência." (John Pierrakos, A Anatomia do Mal).

É essa resistência que nos sufoca, prendendo nossas emoções e aniquilando nossos sentimentos. A vida deixa de fluir. 

Acordemos todos! Deixemos entrar as correntes de ar puro, as vibrações do amor em nossos corações! Somos todos um, e a sombra de um é a sombra de todos. Somos todos um, homem, terra, ar, fogo, água. As diferenças são apenas aparentes e o grito das gaivotas é o grito de todos nós.

terça-feira, 5 de março de 2013

Espiritualista ou Religioso?



Numa palestra, perguntaram ao Dalai Lama o que era espiritualidade. Ele respondeu:

"É aquilo que transforma o teu interior. A religião pode nos passar espiritualidade, mas se não nos transformar interiormente, não faz o menor sentido".

Noutra ocasião, o Dalai Lama afirmou:

"Eu às vezes digo que a religião é algo de que talvez possamos prescindir. Aquilo de que não podemos prescindir é das qualidades espirituais básicas."

Uma pessoa pode ser espiritualista e não estar, necessariamente, ligada a alguma religião.

Frei Betto diz: 

"As religiões, em princípio, deveriam ser fontes e expressões de espiritualidades. Nem sempre isso ocorre. Em geral, a religião se apresenta como um catálogo de regras, crenças e proibições, enquanto a espiritualidade é livre e criativa. Na religião, predomina a voz exterior, da autoridade religiosa. Na espiritualidade, a voz interior, o 'toque' divino".

"Na religião se crê; na espiritualidade se vivencia. A religião nutre o ego, pois uma se considera melhor que a outra. A espiritualidade transcende o ego e valoriza todas as religiões que promovem a vida e o bem."

Eu, particularmente, acredito numa espiritualidade que nos permita reverenciar e respeitar todas as religiões. Acho que a verdadeira espiritualidade está bem distante do fanatismo praticado por muitas correntes religiosas. Creio numa era de paz em que teremos todos uma única religião, a do amor; sem necessidade de dogmas, preceitos, normas; sem necessidade de templos e igrejas, pois a natureza é o maior templo e o mais sagrado deles.


“Há uma só religião, a religião do Amor; há uma só casta, a casta da humanidade; há uma só linguagem, a linguagem do coração; há um só Deus, e Ele é Onipresente”, diz Sathya Sai Baba, Sad Guru ecumênico, que incluiu na logomarca da sua organização o símbolo das grandes religiões. 

A matéria a seguir merece ser lida. Foi publicada no Diário da Saúde do dia 1º.03.2013 (www.diariodasaúde.com.br):

Espiritualistas e religiosos assumem posições políticas diferentes

Quando os campos do humano e do divino se cruzam, espiritualidade e religião são termos tão distintos quanto progressistas e conservadores.
Um novo estudo mostra que a forma de encarar o "mundo de Deus" determina como as pessoas agem em relação ao "mundo dos homens".
"Há grande sobreposição entre as crenças religiosas e as orientações políticas," explica Jordan Peterson, da Universidade de Toronto (Canadá).
"Descobrimos que as pessoas religiosas tendem a ser mais conservadoras, e as pessoas espirituais tendem a ser mais progressistas," diz ele.
"Enquanto a religiosidade é caracterizada por devoção a uma tradição específica, a um conjunto de princípios, ou código de conduta, a espiritualidade está associada com a experiência direta de autotranscendência e a sensação de que estamos todos conectados," esclarece Jacob Hirsh, principal autor do estudo.

Mentalidade inclusiva e igualitária

Para confirmar a relação entre crenças e orientações políticas, os pesquisadores fizeram com que voluntários, tanto religiosos, quanto espiritualistas, participassem de uma sessão de meditação transcendental, uma prática tipicamente espiritualista.
Após a prática, todos foram submetidos a testes para aferir suas atitudes políticas em relação a temas controversos.
"Induzir uma experiência espiritual através de um exercício orientado de meditação levou tanto progressistas quanto conservadores a apoiarem atitudes políticas mais progressistas," afirmam os autores.
"As experiências espirituais parecem fazer as pessoas se sentirem mais em uma conexão umas com as outras," analisa Hirsh.
"As fronteiras que normalmente mantemos entre nós mesmos e o mundo tendem a se dissolver durante as experiências espirituais. Estes sentimentos de autotranscendência tornam mais fácil reconhecer que todos nós fazemos parte do mesmo sistema, o que estimula uma mentalidade inclusiva e igualitária," acrescentou.

Equilíbrio necessário

Os pesquisadores esperam que essas descobertas não apenas aprofundem nossa compreensão da espiritualidade, mas também possam ajudar no diálogo político no futuro.
"A parte conservadora da crença religiosa tem desempenhado um papel importante na coesão das culturas e no estabelecimento de regras comuns. A parte espiritual, por outro lado, ajuda a renovar as culturas, adaptando-as a novas circunstâncias," analisa Peterson.
"Tanto direita quanto esquerda são necessárias. Não é que qualquer uma delas seja a correta, é que o diálogo entre elas produz a melhor probabilidade que temos de conseguir o equilíbrio adequado. Se as pessoas pudessem compreender que ambos os lados têm um papel importante a desempenhar na sociedade, seria possível eliminar um pouco da tensão desnecessária [entre os dois campos]," concluiu.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Reflexões Sobre o Equilíbrio


“Existe, na base de tudo, um poder que está continuamente trabalhando. É a Vontade do Divino que mantém o equilíbrio no universo.”  (Sathya Sai Baba)

"No mistério do sem-fim
equilibra-se um planeta.

E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro;
no canteiro uma violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,

entre o planeta e o sem-fim,
a asa de uma borboleta"
(Cecília Meireles)


"Equilíbrio é a habilidade de olhar para a vida a partir de uma perspectiva clara - fazer a coisa certa no momento certo. Uma pessoa equilibrada será capaz de apreciar a beleza e o significado de cada situação seja ela adversa ou favorável. Equilíbrio é a habilidade de aprender com a situação e de prosseguir com sentimentos positivos. É estar sempre alerta, ser totalmente focado, e ter uma visão ampla. Equilíbrio vem do entendimento, humildade e tolerância. O mais elevado estado de equilíbrio é voar livre de tudo e, ainda assim, manter-se firmemente enraizado na realidade do mundo." (Brahma Kumaris)

"Ousar é perder o equilíbrio momentaneamente. Não ousar é perder-se." (Soren Kierkegaard)

"Viver é como andar de bicicleta: É preciso estar em constante movimento para manter o equilíbrio." (Albert Einstein)

"Consegui meu equilíbrio cortejando a insanidade." (Renato Russo)

"A vida guarda a sabedoria do equilíbrio e nada acontece sem uma razão justa." (Zíbia Gasparetto)

"A felicidade perderia seu significado se ela não fosse equilibrada pela tristeza." (Carl Jung)

"Vivo de esboços não acabados e vacilantes. Mas equilibro-me como posso, entre mim e eu, entre mim e os homens, entre mim e o Deus." (Clarice Lispector)

"Pergunta a Eckhart Tolle: Como encontrar o equilíbrio entre a nossa vontade individual e o fluxo natural da vida?
Eckhart Tolle: Vivendo alinhado com o momento presente, você também alinha a sua vontade com a vontade universal, o que você poderia chamar de 'a vontade de Deus'. Você não tem uma vontade separada. A vontade separada quer melhorar ou reforçar o sentido de si mesmo. A vontade separada está preocupada com o 'eu', o ego. Mas existe uma consciência divina, uma consciência una, um impulso evolutivo. O que estamos fazendo aqui à todo momento é para alinhar-nos com isso."


"Tudo no Universo se move da ordem para a desordem, da desordem à ordem;
do ódio para o amor, do amor ao ódio; da inteligência para a não inteligência, desta para a inteligência; de emoções negativas para positivas e de emoções positivas para negativas. Esta é a natureza da mente. Se você precisa escapar, é da mente que você precisa escapar. Vá além da mente. É assim que você se ilumina... Se você se mantiver nos confins da mente, o problema estará lá. Despertar é sair da prisão (mente). Se você sair da mente, então estará vivendo realmente." (Sri Bhagavan)

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

O Perigo Real


"O perigo real
é por qualquer motivo
deixar de amar."
(Kwothinye)

Quando compreenderemos, como humanidade, que não há nenhum outro perigo real a não ser este? Quando tiraremos de vez a venda dos nossos olhos e a couraça dos nossos corações? Quando perceberemos o tamanho descomunal do abismo onde estamos nos precipitando por deixarmos de amar? 

Recebi a história a seguir, cujo resumo é o seguinte:

"O que era para ser unicamente uma atitude pessoal ganhou o mundo graças a uma turista do Arizona que registrou com a câmera de seu celular e postou no Facebook a imagem de um policial agindo com humanidade.

Estranho mundo esse nosso... O que deveria ser corriqueiro causou espanto e admiração... Foram mais de 400.000 compartilhamentos.

Tudo começou quando Larry De Primo, um policial de Nova York, de 25 anos, fazia sua ronda normal pela Sétima Avenida, na altura da Rua 44...

De Primo, observou, sentado numa calçada, um morador de rua que tremia de frio... Sem ter com que se cobrir e descalço, o homem tentava se aquecer mantendo-se encolhido em silêncio. Diante da cena, o jovem policial se aproximou, olhou, deu meia volta, entrou uma loja, e com o dinheiro que carregava em seu bolso, comprou um par de meias térmicas e uma bota de inverno – gastou 75 dólares.

De volta à presença do morador de rua, De Primo entregou ao mendigo as meias e as botas. O homem deu um sorriso de orelha a orelha e disse: 'Eu nunca tive um par de sapatos em toda a minha vida'.

O gesto, no entanto, não se concluiu na entrega do presente... Percebendo que o morador de rua tinha dificuldade em se mover, o policial se agachou, colocou-lhe as meias e as botas, amarrou os cadarços e perguntou: 'Ficou bom?' 
A resposta foram dois olhos felizes, lagrimejados e um novo sorriso.

A cena foi acompanhada e fotografada por uma pessoa que, ao chegar em casa, postou a foto em sua página na internet e escreveu um texto ao Departamento de Polícia de Nova Iorque, relatando o ocorrido. Terminou o texto assim:  'Pena, me faltou coragem para me aproximar, estender-lhe a mão e dizer obrigado por me fazer crer que a policia que sonho é possível. Bem, digam a ele isso por mim. Jennifer Foster'.

Em poucas horas, o texto e a foto de Jennifer pipocaram por todo o território americano e por boa parte do mundo. Larry De Primo foi chamado por seus superiores, ouviu um elogio, recebeu abraços de seus companheiros e quando seu chefe lhe disse que o departamento iria ressarci-lo pelo dinheiro gasto do seu próprio bolso, Larry recusou e disse: 'Não senhor, obrigado. Com meu dinheiro, faço coisas nas quais acredito'.

Esta é uma história de amor e solidariedade humana. Uma história que não deveria causar tanto alvoroço ou admiração, se vivêssemos mais próximos uns dos outros. Perfeitamente normal que um ser humano ajude outro ser humano. Mas nos admiramos e nos maravilhamos, porque atitudes como esta são - ainda - raridades entre nós. Temos medo de sair da nossa egóica casca dura, que nos trouxe até esta fantástica e tecnológica civilização, a nos afogar com seu conforto e suas maravilhas. Temos medo de olhar para trás - e para dentro - e constatar quão robótico se tornou nosso coração.

Diz o conto que, nos tempos idos, o aspirante perguntou ao velho mestre, ao vê-lo carregando água, balde por balde, da cacimba até o mosteiro: "Por que você não usa uma roda d'água?" E o mestre respondeu: "Quanto mais utilizarmos as máquinas, menos humanos seremos."

O conto é antigo e o cuidado do monge exagerado. Mas não é preciso uma análise muito acurada para perceber aonde nossa tecnologia está nos levando. Queremos conforto, não importa a que custo. Nosso planeta se deteriora, os recursos se vão, as matas diminuem a cada ano, a poluição atinge terra, mar e ar, mas continuamos. Não temos amor pela natureza, pelo próximo, por nós mesmos. Tratamos os animais como seres "inferiores", ao invés de olharmos para eles como irmãos e tentarmos aprender com eles tantas lições! 

É preciso acordar desse processo autodestrutivo e ter coragem de fazer a si mesmo a infalível pergunta: por qual motivo deixei de amar? E sejam quais forem os motivos, serão todos pequenos diante da grandiosidade do Amor. Ao assimilarmos isto profundamente, estaremos reconectados à nossa Fonte. E, juntos, fraternalmente, de mãos dadas, livres de preconceitos de raças, crenças, territórios e religiões, começaremos a erguer a Nova Terra. 

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Sete Tipos de Paz - Filosofia Aymara


Aymara ou Aymará é o nome de uma civilização que, desde a era pré-colombiana, estabeleceu-se no sul do Peru, na Bolívia, na Argentina e no Chile. Segundo a sabedoria ancestral desse povo que habita as regiões andinas, existem sete tipos de paz.

Os Sete Tipos de Paz

O primeiro tipo de paz é para dentro de cada um de nós.
Com a saúde de nosso corpo, a clareza de nossa mente,
a satisfação com nosso trabalho,
a alegria com a pessoa que escolhemos para amar.
Sem paz consigo mesmo, não há Paz.

O segundo tipo é para cima,
paz com os espíritos de nossos antepassados,
com o Deus de cada um.
Sem paz com o mundo espiritual,
ninguém fica totalmente em Paz.

A terceira paz é para frente,
com o seu passado.
Diferentemente dos homens brancos ocidentais
que põem o passado para trás,
os Aymara o colocam para diante,
por ser o visto, o vivido, o conhecido.
Quem tem remorsos, culpas, dívidas não pagas,
arrependimentos, não pode alcançar a Paz.

A quarta paz é para trás,
com o futuro de cada um.
Pois quem teme o que virá,
apavorando-se com o que terá de enfrentar,
com a possibilidade de más notícias, não está em Paz.

O quinto tipo de paz é para o lado esquerdo, com os nossos familiares.
Desavenças domésticas, disputas, queixas, ranger de dentes
com a família e com amigos próximos impedem de se alcançar a Paz.

A sexta é para o lado direito, com nossos vizinhos.
Estar pacificado na própria casa e em desavença com a casa ao lado traz impedimentos para a verdadeira Paz.

A sétima e última paz é para baixo,
com a terra em que você pisa e de onde tira o seu sustento.
Se você provoca a tempestade ou a seca,
se não procura harmonizar o solo onde vive você não terá a santa Paz.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Sete Passos Para Superar o Controle do Ego Sobre Você


Este texto é antigo e já circulou bastante pela net. No entanto, precisa circular mais, para que nos conscientizemos do quanto nossas atitudes corriqueiras nos acorrentam ao ego, impedindo-nos de apreciar uma vida mais plena.

Trata-se de sete sugestões que nos auxiliam a transcender idéias arraigadas sobre a própria importância. 

1 – Deixe de ficar ofendido

O comportamento dos outros não é motivo para ficar ofendido. Aquilo que o ofende somente o enfraquece. Se estiver procurando ocasiões para ficar ofendido, você as encontrará a cada oportunidade. Este é o seu ego operando, convencendo-o de que o mundo não deveria ser assim. “Um Curso em Milagres” nos lembra: “A Paz é de Deus, você que é parte de Deus, não está no lar, exceto em sua paz”. Ficar ofendido cria a mesma energia destrutiva que o ofendeu em primeiro lugar e leva ao ataque, ao contra-ataque e à guerra.

2 – Libere a sua necessidade de vencer

O ego adora nos dividir em vencedores e perdedores. A busca da vitória é um meio infalível de evitar o contato consciente com a intenção. Por quê? Porque em última instância, a vitória é impossível o tempo todo. Alguém lá fora será mais rápido, mais afortunado, mais jovem, mais forte e mais inteligente, e novamente você se sentirá inútil e insignificante. Você não é o seu prêmio ou a sua vitória. Você pode curtir a competição, e se divertir em um mundo onde a vitória é tudo, mas você não tem que estar lá em seus pensamentos. Não há perdedores em um mundo onde todos compartilham a mesma fonte de energia. Deixe ir a necessidade de vencer, sem concordar que o oposto de vencer é perder. Este é o medo do ego. Seja o observador, notando e apreciando tudo isto sem precisar ganhar um troféu. Esteja em paz, e corresponda com a energia da intenção. E, ironicamente, embora você quase não o perceba, mais vitórias se apresentarão em sua vida quando menos as perseguir.

3 – Deixe ir a sua necessidade de estar certo

O ego é a fonte de muitos conflitos e desavenças, porque ele o empurra na direção de tornar outras pessoas erradas. Quando você é hostil, está desconectado do poder da intenção. O Espírito Criativo é bondoso, amoroso, receptivo, livre da raiva, do ressentimento ou da amargura. Liberar a sua necessidade de estar certo em suas discussões e relacionamentos é como dizer ao ego: eu não sou um escravo para você. Quando você deixa ir a necessidade de estar certo, é capaz de fortalecer a sua conexão com o poder da intenção. Mas tenha em mente que o ego é um combatente determinado. Eu tenho visto pessoas terminarem relacionamentos maravilhosos, apegando-se à sua necessidade de estar sempre certas. Questione-se: “Eu quero estar certo ou ser feliz?” Quando você escolhe o humor feliz, amoroso e espiritualizado, a sua conexão com a intenção é fortalecida. A Fonte universal começará a colaborar com você, criando a vida que você pretendia viver.

4 – Deixe ir a sua necessidade de ser superior

A verdadeira nobreza não se refere a ser melhor do que outra pessoa. Trata-se de ser melhor do que você costumava ser. Permaneça focado em seu crescimento, com uma consciência permanente de que ninguém neste planeta é melhor do que outro. Todos nós emanamos da mesma força de vida criativa .Todos nós temos uma missão de compreender a nossa essência pretendida. Tudo o que precisamos para cumprir o nosso destino nos está disponível. Nada disto é possível quando você se vê como superior aos outros. Deixe ir a sua necessidade de se sentir superior, vendo a revelação de Deus em todos. Não avalie os outros com base em sua aparência, em suas conquistas, posses e em outros índices do ego. Quando você projeta sentimentos de superioridade, isto é o que você recebe de volta, levando a ressentimentos e, principalmente, a sentimentos hostis. Esses sentimentos se tornam o veículo que o distancia mais da intenção. Um Curso em Milagres trata desta necessidade de ser especial e superior. A pessoa que se julga especial sempre faz comparações.

5 – Deixe ir a necessidade de ter mais

O mantra do ego é mais. Ele nunca está satisfeito. Não importa quanto você consiga ou adquira, seu ego vai insistir que não há o suficiente. Você se encontrará em um estado perpétuo de esforço para obter, eliminando a possibilidade de nunca chegar. Ironicamente, quando você deixa de precisar mais, mais do que você deseja parece chegar à sua vida. Desligando-se da compulsão por ter cada vez mais, você começa a compreender quão pouco você precisa a fim de ficar satisfeito e em paz. A Fonte universal está contente com ela mesma, expandindo-se constantemente e criando nova vida, sem tentar se apegar as suas criações para seus próprios propósitos egoístas. Ela cria e libera. Quando você libera a necessidade do ego de ter mais, você se unifica a essa Fonte. Você cria, atrai para si e libera, nunca exigindo que mais venha ao seu caminho. Como um apreciador de tudo o que se apresenta, você aprende a poderosa lição de S. Francisco de Assis: “É dando que recebemos.” Ao permitir que a abundância flua para e através de você, você se equipara à sua Fonte e garante que esta energia continue a fluir.

6 – Deixe de se identificar com base em suas realizações

Este pode ser um conceito difícil se você pensar que você é as suas realizações. Deus canta todas as músicas, Deus constrói todos os prédios, Deus é a fonte de todas as suas realizações. Eu posso ouvir o seu ego protestando em voz alta. Entretanto, permaneça atento a esta idéia: Tudo emana da Fonte! Você e esta Fonte são um! Você não é este corpo e as suas realizações. Você é o observador. Observe tudo isto; e seja grato pelas habilidades que acumulou. Mas dê todo o crédito ao poder da intenção, que lhe trouxe à existência e da qual é uma parte materializada. Quanto menos precisar assumir o crédito pelos seus empreendimentos e mais conectado permanecer às sete faces da intenção, mais estará livre para realizar, e mais se apresentará para você. Quando você se liga a essas conquistas e acredita que é você que está fazendo todas essas coisas, você abandona a paz e a gratidão à sua Fonte.

7 – Deixe ir a sua reputação

Sua reputação não está localizada em você. Ela reside nas mentes dos outros. Portanto, você não tem nenhum controle sobre tudo isto. Se falar para 30 pessoas, você terá 30 reputações. Conectar-se à intenção significa ouvir o seu coração e se conduzir baseado naquilo que a sua voz interior lhe diz que é o seu propósito aqui. Se estiver muito preocupado em como será percebido por todos, então você se desliga da intenção e permite que as opiniões dos outros o oriente. Este é o seu ego operando. É uma ilusão que se interpõe entre você e o poder da intenção. Não há nada que não possa fazer, a menos que se desconecte da fonte de poder e se torne convencido de que o seu propósito é provar aos outros como você é poderoso e superior, e gaste a sua energia tentando ganhar uma gigantesca reputação entre outros egos. Permanecer no propósito, desligar-se do resultado e assumir a responsabilidade pelo que faz, reside em você: seu caráter. Deixe que a sua reputação seja debatida por outros. Ela nada tem a ver com você. Ou como o título de um livro diz: “O que você pensa de mim, não é da minha conta.”

(Texto de Wayne W. Dyer, com algumas adaptações)

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

O Povo das Caixas

Alguém postou no Facebook, outro dia, que já estava farto de receber protestos contra o BBB (Big Brother Brasil). "Não está satisfeito? Então desliga ou muda o canal, e pronto, mas não enche o saco!" (algo assim). Resolvi entrar um pouco na discussão, expondo meu ponto de vista, que é mais ou menos este: sim, mudar o canal ou desligar a TV é uma saída, mas liderar ou participar de campanhas pela melhoria no nível dos programas é importante, para que outros que estejam abertos a uma mudança possam ler, refletir, mudar.

Estamos vivenciando uma época de grandes transformações. Todo o universo conspira e incita-nos à mudança. É como se estivéssemos navegando em mar aberto e depois percebêssemos que todas as correntes nos levam a uma passagem estreita, um gargalo. Teremos de passar por ele, inevitavelmente, mas temos medo... temos medo, sim, pois não visualizamos ainda o horizonte depois do gargalo. E costumamos temer tudo aquilo que desconhecemos. Esse medo se agiganta porque é alimentado pelo medo dos outros navegantes. Muitos querem retroceder, iniciam movimentos, rebeliões, criam o caos. Tudo isto é típico de final de ciclo.

Enquanto não compreendermos que não há retrocesso, não avançaremos. Ficaremos girando no mar revolto. Somos todos um e haveremos de atravessar o mesmo gargalo, agora ou num próximo ciclo, a perder de vista... 


Um pajé disse certa vez, referindo-se ao homem branco: "O mundo deles é quadrado, eles moram em casas que parecem caixas, trabalham dentro de outras caixas, e para irem de uma caixa à outra, entram em caixas que andam. Eles vêem tudo separado, porque são o Povo das Caixas...."

Sim, somos o "Povo das Caixas". Aprendemos muito cedo a enquadrar e encaixotar tudo, principalmente idéias. Encaixotamos até nossas almas. E nos idiotizamos diante de uma caixa que chamamos televisão, permitindo que ela nos hipnotize seja com que tipo de programa for. Ah, que bom transe hipnótico! Enquanto estamos ali, passivos e fascinados, esquecemos nossa superficialidade aterradora.

O "Povo das Caixas" vê tudo separado, quadrado. De tanto viver encaixotado, perdeu a noção da unidade. No entanto, somente a unidade existe. É a unidade que vivenciaremos ao decidir passar pelo gargalo. E o que seria, na prática, "passar pelo gargalo"? Seria se lançar, confiar, ter fé na Vida Única e, consequentemente, em si mesmo. Seria abandonar o medo e mergulhar nas profundezas da alma, sair da periferia. Acreditar na plenitude, no Atma (alma imortal), nos valores eternos...

Existem programas de baixo nível porque estamos ainda na periferia. Tememos a profundidade. Estacionamos no primeiro degrau da escada, que significa a fascinação pelo apelo fácil da sensualidade exacerbada, da vulgaridade, do viver apenas para os sentidos primários.

Entretanto, a correnteza das marés persiste no seu ritmo. Apesar da nossa superficialidade, ela continua. A despeito do nosso pavor de encararmos nossa verdadeira face, ela se move. Sem levar em conta nossa apatia e procrastinação, ela segue seu rumo imutável. Essa correnteza, que é também o espírito dos vales, acena para uma realidade que transcende a forma. Podemos chamá-la de tantos nomes... O TAO diz:

O espírito do vale não morre nunca;
ele é a mulher misteriosa.
A porta da mulher misteriosa
é a raiz do Céu e da Terra.
Ininterrupta, assim como perpétua,
ela age sem esforço.

Esse espírito nos manda recados o tempo todo. O que são os desastres, as desgraças, o infortúnio? Apenas sinais de alerta a nos acordar dessa doença letárgica, dessa apatia, desse sono doentio. É tempo de acordar, de jogar fora a venda que encobre nossa vista. É tempo de sentir a fragilidade do mundo das formas. 


É tempo de olhar para dentro. É tempo de encarar a própria sombra com destemor. Por detrás das tragédias paira, oculta, a sombra da humanidade: tudo aquilo que negamos e não queremos ver. Ao encararmos nossos fantasmas com destemor, decifraremos o código da Vida Una, que reina soberana, onipresente, onipotente, convidando-nos a sair das nossas "caixas" e abraçá-la aqui e agora, neste eterno presente.