terça-feira, 29 de julho de 2014

Samsara, o Círculo da Vida

"Talvez o horror seja apenas, no mais fundo do seu ser, algo que precisa do nosso amor."
(Rainer Maria Rilke)

"Amar o inimigo dentro de nós mesmos não elimina o inimigo lá fora, mas pode mudar o nosso relacionamento com ele. Quando o mal deixa de ser demonizado, somos forçados a lidar com ele em termos humanos. Essa é, a um só tempo, uma tarefa espiritual potencialmente dolorosa e uma oportunidade para a paz espiritual. Esse é sempre o caminho da humildade." (Stephen Diamond)

Samsara, o círculo da vida! Vocábulo curto do sânscrito, cujo significado é bem mais amplo do que as traduções podem oferecer: mundo da impermanência, fluindo sem parar, onde ocorrem nascimentos e mortes... círculo de reencarnações; o transitório... fluxo do tempo e espaço, de nome e forma... mar da vida... o universo, aquilo que incessantemente se transforma...

Dentro de samsara, as formas não param de se transformar, o mundo parece caótico, civilizações aparecem e desaparecem como ondas, nada parece estável. O que permanece no meio desse às vezes incompreensível turbilhão externo? A Consciência.

A Consciência é a âncora cuja essência só alcançamos se mergulharmos nas profundezas do Ser, além do mundo das formas.

A Consciência só é sentida quando perdemos o medo da sombra de nós mesmos. Quando conseguimos olhar para algo que nos desagrada profundamente e nos dá repulsa e, mesmo assim, sabemos que aquilo não está somente "no outro", mas dentro de nós também. É quando sentimos isto que começamos a desenvolver a autêntica compaixão.

O texto a seguir foi retirado do Facebook. Para ler e refletir:

O círculo da vida

Em todo o mundo, nos noticiários todos os dias, as pessoas estão matando pessoas. Pessoas de um "lado" matam pessoas do outro 'lado'. Cada "lado" alega que está certo. Cada "lado" agarra-se à dor antiga, cada "lado" reluta em ser o primeiro a soltar, reunindo todos os motivos do mundo por que ele não pode e não vai soltar. Um conto trágico, tão antigo quanto a própria humanidade.

Quando é que vamos acordar para o fato óbvio de que todos nós somos a mesma Consciência disfarçada? Não importa quem nós pensamos que somos, não importa a nossa aparência, além de nossas histórias e estórias, nossas religiões, nossas nacionalidades, as nossas crenças, a cor de nossa pele, nossos passados pesados e futuros incertos, todos nós somos expressões da Vida Única! Na verdade, não há israelenses ou palestinos, judeus ou cristãos, muçulmanos ou budistas, ateus ou agnósticos, republicanos ou democratas, gurus e discípulos, pois essas imagens nunca poderão nos definir. Aquilo que realmente somos, no nível mais fundamental, é em si mesmo indefinível, misterioso, não é um conceito fixo ou algo que possa ser separado, que possa ser identificado com uma única imagem, assim como o vasto oceano nunca pode ser definido por suas ondas.
Consciência não tem religião e nacionalidade. Ela dá à luz a palestinos e israelenses, iraquianos e americanos, a luz e a escuridão, o yin e o yang do mundo de sonho em constante mutação.

Como a própria consciência, quando nos machucamos uns aos outros, estamos apenas prejudicando os nossos próprios irmãos e irmãs, a nossa própria família, que são ondas de nós mesmos. Estamos apenas lutando contra reflexos de nossa Face original. Estamos somente matando aqueles que amamos, amigos antigos de há muito tempo.

A guerra exterior nunca leva à paz interior. Quanto mais sangue derramaremos? Quanto mais dor? Quantos mais homens, mulheres e crianças devem desaparecer no infinito, antes de acordarmos?

Aquela criança sangrando é a minha própria criança. O círculo da vida não tem nenhum "lado".

(Jeff Foster - trecho de "Falling In Love With Where You Are", traduzido por Maria Helena Ferraz) 

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Precisamos de Olhos que Vejam

"O alcance do que pensamos e fazemos
é limitado pelo que deixamos de notar.
E por deixarmos de notar que deixamos de notar
pouco podemos fazer para mudar,
até que notemos
como o deixar de notar
forma nossos pensamentos e ações."

(R.D. Laing)

O quanto deixamos de ver no nosso cotidiano? Eis um escrito que nos leva a refletir.

A complicada arte de ver

Ela entrou, deitou-se no divã e disse: “Acho que estou ficando louca”. Eu fiquei em silêncio aguardando que ela me revelasse os sinais da sua loucura. “Um dos meus prazeres é cozinhar. Vou para a cozinha, corto as cebolas, os tomates, os pimentões – é uma alegria!

Entretanto, faz uns dias, eu fui para a cozinha para fazer aquilo que já fizera centenas de vezes: cortar cebolas. Ato banal sem surpresas. Mas, cortada a cebola, eu olhei para ela e tive um susto. Percebi que nunca havia visto uma cebola. Aqueles anéis perfeitamente ajustados, a luz se refletindo neles: tive a impressão de estar vendo a rosácea de um vitral de catedral gótica.

De repente, a cebola, de objeto a ser comido, se transformou em obra de arte para ser vista! E o pior é que o mesmo aconteceu quando cortei os tomates, os pimentões… Agora, tudo o que vejo me causa espanto.”

Ela se calou, esperando o meu diagnóstico. Eu me levantei, fui à estante de livros e de lá retirei as “Odes Elementales”, de Pablo Neruda. Procurei a “Ode à Cebola” e lhe disse: “Essa perturbação ocular que a acometeu é comum entre os poetas. Veja o que Neruda disse de uma cebola igual àquela que lhe causou assombro: ‘Rosa de água com escamas de cristal’. Não, você não está louca. Você ganhou olhos de poeta… Os poetas ensinam a ver”.

Ver é muito complicado. Isso é estranho porque os olhos, de todos os órgãos dos sentidos, são os de mais fácil compreensão científica. A sua física é idêntica à física óptica de uma máquina fotográfica: o objeto do lado de fora aparece refletido do lado de dentro. Mas existe algo na visão que não pertence à física.

William Blake sabia disso e afirmou: “A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê”. Sei disso por experiência própria. Quando vejo os ipês floridos, sinto-me como Moisés diante da sarça ardente: ali está uma epifania do sagrado.

Mas uma mulher que vivia perto da minha casa decretou a morte de um ipê que florescia à frente de sua casa porque ele sujava o chão, dava muito trabalho para a sua vassoura. Seus olhos não viam a beleza. Só viam o lixo.

Adélia Prado disse: “Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra”.

Drummond viu uma pedra e não viu uma pedra. A pedra que ele viu virou poema.

Há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem.

“Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. Não basta abrir a janela para ver os campos e os rios”, escreveu Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa. O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido.

Nietzsche sabia disso e afirmou que a primeira tarefa da educação é ensinar a ver. O zen-budismo concorda, e toda a sua espiritualidade é uma busca da experiência chamada “satori”, a abertura do “terceiro olho”. Não sei se Cummings se inspirava no zen-budismo, mas o fato é que escreveu: “Agora os ouvidos dos meus ouvidos acordaram e agora os olhos dos meus olhos se abriram”.

Há um poema no Novo Testamento que relata a caminhada de dois discípulos na companhia de Jesus ressuscitado. Mas eles não o reconheciam. Reconheceram-no subitamente: ao partir do pão, “seus olhos se abriram”.

Vinicius de Moraes adota o mesmo mote em “Operário em Construção”: “De forma que, certo dia, à mesa ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma súbita emoção, ao constatar assombrado que tudo naquela mesa – garrafa, prato, facão – era ele quem fazia. Ele, um humilde operário, um operário em construção”.

A diferença se encontra no lugar onde os olhos são guardados. Se os olhos estão na caixa de ferramentas, eles são apenas ferramentas que usamos por sua função prática. Com eles vemos objetos, sinais luminosos, nomes de ruas – e ajustamos a nossa ação. O ver se subordina ao fazer. Isso é necessário. Mas é muito pobre.

Os olhos não gozam… Mas, quando os olhos estão na caixa dos brinquedos, eles se transformam em órgãos de prazer: brincam com o que vêem, olham pelo prazer de olhar, querem fazer amor com o mundo.

Os olhos que moram na caixa de ferramentas são os olhos dos adultos. Os olhos que moram na caixa dos brinquedos, das crianças. Para ter olhos brincalhões, é preciso ter as crianças por nossas mestras.

Alberto Caeiro disse haver aprendido a arte de ver com um menininho, Jesus Cristo fugido do céu, tornado outra vez criança, eternamente: “A mim, ensinou-me tudo. Ensinou-me a olhar para as coisas. Aponta-me todas as coisas que há nas flores. Mostra-me como as pedras são engraçadas quando a gente as têm na mão e olha devagar para elas”.

Por isso – porque eu acho que a primeira função da educação é ensinar a ver – eu gostaria de sugerir que se criasse um novo tipo de professor, um professor que nada teria a ensinar, mas que se dedicaria a apontar os assombros que crescem nos desvãos da banalidade cotidiana. Como o Jesus menino do poema de Caeiro. Sua missão seria partejar “olhos vagabundos”…

(Rubem Alves – educador e escritor)

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Novo Crop Circle e o Ser Uno

CARTA ABERTA AO SER UNO ... Caro Ser Uno: na segunda-feira vocês editaram uma fotografia e um vídeo de um Crop Circle que foi descoberto em 1º de Junho de 2014, onde vocês dizem que é o símbolo do Ser Uno e que os Irãos Maiores-Ayaplianos já estão anunciando o alinhamento cósmico que começará em 07 de julho de 2014. Minha pergunta é a seguinte: O Crop Circle está unido a um pequeno círculo ... o que significa? Vocês poderiam explicar com mais detalhes o significado deste símbolo? ... Marcelo.

RESPOSTA: Prezado Marcelo: Na verdade, o Crop Circle que foi encontrado em 1º de junho de 2014, na Inglaterra, é o símbolo do Ser Uno. Os Irmãos Mariores-Ayaplianos já estão anunciando o início do alinhamento de 7 de julho de 2014. O Crop Circle assinala as nove dimensões do universo, as quais representam a Glândula Pineal do Ser Uno, ou seja: o Princípio Único, conhecido comumente por nós como A Flor da Vida. Essas dimensões giram a uma velocidade inimaginável e são representadas pela figura de uma flor, cujas pétalas não são estáticas e que vibram, giram, para baixo, para cima e mais para cima. Quando as pétalas estão em movimento, captam a criação de novas Ideias Cósmicas do Princípio Único.

Para nós, que pertencemos à Dimensão Primária, esses movimentos e idéias que emanam da Glândula Pineal do Ser Uno são incompreensíveis, mas as dimensões que se encontram em torno do centro: Dimensão Sublime, Divina, Etérea e Perfeita, entendem o idioma e o simbolismo desses movimentos e idéias. As dimensões nomeadas captam essas idéias, compreendem-nas e as separam, lançando-as, por sua vez, às outras dimensões que se seguem: Dimensão Regular, Secundária, Primária, Inferior e de Criatividade, as quais as absorvem segmentadas e as executam de acordo com o nível de trabalho e compreensão em que cada dimensão se encontra.

A figura maior representa a Glândula Pineal do Ser Uno e a figura menor é o planeta Terra, que está unido por um cordão umbilical ao Criador, ao Princípio Único; porém, como se vê, está fora do círculo, porque, no entanto, não se integrou ao Ser Uno. O planeta Terra e todas as almas encarnadas e desencarnadas que nele vivem devem formar nosso Ser Energético (espírito) para poder se tornar parte integrante do universo, coisa que a maioria dos seres ainda não o fez, porque estamos no processo de Concepção e Gestação, ou seja, no Despertar da Consciência.

Uma vez despertos, ingressaremos para fazer parte dos grandes pensamentos e idéias do Ser Uno. Nos integraremos e - SEREMOS ELE E PARTE DELE - quando todas as almas do planeta Terra tiverem o espírito formado; daí, o cordão se cortará e a Nova Célula Terra-Antimatéria se unirá às outras dimensões de Luz e Amor. Para isto, a Nova Terra terá que passar por todas as dimensões nomeadas, até um dia ingressar na Glândula Pineal do Ser Uno, para integrar-se definitivamente como uma Célula Vivente-Antimatéria na Criatividade na Mente Universal ... Caminho do Ser.

(Tradução livre. Imagem e texto: http://www.elseruno.com)

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Que Passe a Copa

“Nossas vidas começam a morrer no dia em que calamos coisas que são verdadeiramente importantes.” (Martin Luther King)

Às vésperas da Copa do Mundo, faço algumas reflexões.
Já torci em muitas outras Copas, sempre com alegria, a família reunida, uma corrente de vibração pelo nosso Brasil.

E agora, que a Copa vai ser aqui? Seria um motivo a mais para se alegrar? Seria, sim, se as condições fossem outras.

Perdoem-me os torcedores, os que acreditam nos benefícios da Copa, mas eu não consigo entender como é possível estar feliz com tanta roubalheira, com tanta corrupção, com tantos desmandos que vêm acompanhando os preparativos para o Mundial.

"A ideia de que a Copa vai impulsionar a economia é um mito. Sediar uma Copa do Mundo não traz nenhum legado econômico. Se você quer impulsionar a economia com o dinheiro do povo, que paga impostos, é melhor investir em escolas e hospitais." (Simon Kuper - BBC Brasil)

“...em nome da Copa do Mundo, graves violações de direitos humanos foram e estão sendo cometidas. Comunidades inteiras foram e estão sendo riscadas do mapa, desorganizando a vida de milhares de pessoas, destruindo laços comunitários de décadas e criando traumas psicológicos permanentes. Tudo no decorrer de processos marcados pela verticalidade, truculência e falta de transparência do poder público.” (Sociedade – Opinião - Revista Carta Capital)

Os alicerces dessa Copa estão corrompidos. Recuso-me a me iludir com essa festa, recuso-me a curtir o que está podre. Recuso-me a sair festejando e torcendo como se tudo estivesse bem. Recuso-me a dizer, como muitos estão dizendo: "o que foi roubado, já foi, o que interessa agora é curtir!" Eu não faço nem jamais farei parte desse time. O roubo, a corrupção, são deploráveis e precisam ser apurados, pelo bem de nossas almas, pelo bem do nosso país. Esse descaso, esse "deixa pra lá, vamos curtir" é um câncer na alma do povo. Não podemos deixar para lá!

Gostaria que o meu país fosse conhecido lá fora não somente pelo futebol e pelo Carnaval, mas por valores éticos que vejo sumir pelo ralo porque os governos não dão educação ao povo e os próprios políticos dão o mau exemplo, mostrando que o que vale é encher o bolso de dinheiro e os princípios que se danem. 

Por que não investir em educação? Porque a massa ignorante é mais fácil de manobrar.

Como pode o povo refletir melhor sem desenvolver a leitura, o conhecimento, o senso crítico?

Gostaria de ver líderes políticos verdadeiros, honestos, espalhando o exemplo de honradez, de probidade, de austeridade.

O Brasil está órfão de líderes. Em quem acreditar? Em quem votar?

Se ganharmos a Copa, será que teremos mudanças significativas na nossa realidade? Alguém realmente acredita nisso?

A Copa mais cara do mundo todo. Bilhões sendo gastos em estádios num país carente de escolas, hospitais, transporte coletivo, cultura, rodovias...

Invocar o meu patriotismo em torno desse circo? Como? É antipatriótico não torcer pelo Brasil? Eu torço, sim. Torço por um Brasil mais justo, por um Brasil menos corrupto, por um Brasil decente. As Copas passam. Rápido como a bola no gramado.

Meu coração sofre com o Brasil. Por isso, digo que não vou torcer a favor nem contra. A minha grande torcida é para que nossas consciências se abram, para que nosso discernimento se amplie. Minha torcida é para que acordemos em tempo e encontremos um jeito de salvar a nós mesmos, limpando o nosso país dessa sujeirada toda que o enfeia e desmerece. 

Citando Brecht:

“Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural, nada deve parecer impossível de mudar.” – Bertold Brecht 

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Consumo e Violência

"Viver no mundo e não ser do mundo", como falam os grandes mestres, é ser livre. É sair da gaiola do sistema e voar! É refletir, é não ser escravo do consumo.

“Eu me utilizo de todos os meios da Sociedade de consumo, penetro no Sistema, mas como um veneno.” – Raul Seixas

“Quando começou a comprar almas, o diabo inventou a sociedade de consumo.” – Millôr Fernandes

“No passado, penso; logo, existo.
No presente, nem penso; logo consumo.
No futuro, penso por quê?” -
Anita Prado

A violência urbana é um dos fatores mais preocupantes da nossa época. Em muitos lugares, basta que surja uma chance para que aflore abruptamente, de forma primitiva e selvagem.

A greve da polícia, em Pernambuco, neste mês de maio, deu origem a diversos saques a lojas, onde se podia ver não somente bandidos, mas pessoas do povo, mulheres e até crianças, roubando descaradamente os estabelecimentos.

Qual a causa desse vandalismo? 

Estava lendo uma entrevista antiga, onde o sociólogo polonês Zygmunt Bauman (influente acadêmico europeu, considerado um dos mais importantes sociólogos da atualidade), ao comentar os distúrbios ocorridos em Londres em 2011, afirma: "Foi um motim de consumidores excluídos". Bauman disse que a revolta foi motivada mais pelo desejo de consumir do que por qualquer outra preocupação com mudanças sociais. Desigualdade social e ânsia de consumo foram, segundo o sociólogo, os ingredientes-chave para os saques e motins.

O homem caiu na própria armadilha. Estamos nos engaiolando cada vez mais nesse sistema que ordena "compre", "consuma", ininterruptamente. Essa corrida aos bens materiais, desacompanhada de valores espirituais e familiares, só pode desaguar em desastre. Não por acaso, recebi ontem uma reflexão do escritor Mario Vargas Llosa, onde ele diz: 

“Uma democracia sem uma vida espiritual converte-se numa selva em que os lobos comem todos os cordeiros. E, para que a cobiça e a ambição material não regulem a vida, é preciso alimentar a vida espiritual.” 

Os valores humanos, ou valores espirituais, não caem de moda e são o sustentáculo de uma sociedade harmoniosa e pacífica. Será que diante dessa realidade tão contundente que vemos desfilar nas nossas TVs, ainda acreditamos que esse modelo materialista-consumista criado por nós tem solução?

Outro dia, assisti a uma palestra de um deputado com rara visão social. Discorrendo sobre a violência, ele mostrou, com dados estatísticos da ONU, que a violência social não pode ser explicada simplesmente pela pobreza, uma vez que países como a Índia, com uma desigualdade social imensa, ostenta índices de criminalidade bem inferiores aos índices de países ricos, como é o caso dos Estados Unidos. Qual a explicação? A explicação é que a sociedade indiana tem dentro de si, os arraigados e seculares valores espirituais. 

A nossa falta de valores, o nosso descaso em repassar valores e a nossa permissividade com as nossas crianças, tudo isto somado à desigualdade social, está nos consumindo. O consumo nos consome, sem dúvida alguma. "Quando as massas não mudam, elas se movem na direção da destruição", disse o educador Robert Happé. 

Nosso bem-estar, nossa paz e nossa harmonia estão onde sempre estiveram: dentro de nós. Mas nos perdemos dessa certeza, esquecemos das verdades do espírito e agora vagamos nessa corrida inglória, acreditando que a felicidade está nos bens de consumo. Nosso modelo "perfeito" de sociedade é o modelo americano. Por mais que os países pobres possam tentar, jamais conseguirão chegar ao modelo americano, por uma simples razão: esse modelo é tão selvagemente consumista, exaure de tal forma os recursos, que seriam necessários vários planetas Terra para que todos chegassem a esse padrão dos Estados Unidos. Bastaria esta reflexão para nos tirar da ilusão.

Sem dúvida alguma, mais do que nunca precisamos repensar a nossa vida. O mundo todo clama por mudança. Esta gaiola de loucos onde nos metemos tem saída, a porta parece fechada, mas está aberta àqueles que ousam refletir e mudar. E mudar não é fácil, porque dói. Mudar requer coragem. Requer mudança de foco. Requer um olhar para dentro. No entanto, mudar de foco, olhar para dentro e mudar, por mais que doa, é inadiável. Não existe outro caminho.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Feliz Wesak!

"Só há um tempo em que é fundamental despertar. Esse tempo é agora."  (Buda)

Hoje, 14 de maio, durante a lua cheia do signo de Touro, celebra-se o Festival de Wesak, ou Festival de Buda (Buda Purnima). 

Segundo a tradição espiritualista, é a data em que Buda retorna para ajudar a Terra na sua regeneração. Buda nasceu, alcançou a iluminação e abandonou o corpo sob a Lua cheia de Touro, por isto ele retorna na mesma época, todos os anos, para trazer nova luz ao mundo.

Nos Himalaias há um lugar chamado Vale Wesak. É lá onde os mestres espirituais se reunem, na lua cheia de maio, para realizar uma grande cerimônia pela paz e harmonia do planeta Terra.

O Festival de Wesak não é privativo do budismo, é uma data universal. Independentemente da religião ou crença que se siga, qualquer pessoa pode participar deste momento de abertura às bênçãos cósmicas, procurando manter a mente com boas vibrações, através de mantras, orações, reflexão interna. 

Se possível, recitar "A Grande Invocação" ao amanhecer, ao meio-dia, no momento do plenilúnio (16h18 de Brasília) e ao anoitecer.
  
A GRANDE INVOCAÇÃO 

Do ponto de Luz na mente de Deus,
Que flua Luz à mente dos homens;
Que a Luz desça à Terra.

Do ponto de Amor no coração de Deus,
Que flua amor ao coração dos homens;
Que Cristo retorne à Terra.

Do centro onde a vontade de Deus é conhecida,
Que o propósito guie as pequenas vontades dos homens,
Propósito que os Mestres conhecem e servem.

Do centro a que chamamos raça dos homens,
Que se realize o Plano de Amor e de Luz
E seja cerrada a porta onde mora o mal.

Que a Luz, o Amor e o Poder
Restabeleçam o Plano Divino sobre a Terra
Hoje e por toda a eternidade.
Amém.


quinta-feira, 24 de abril de 2014

ACORDE!

''A vida é agora. Nunca houve um momento em que a sua vida não foi agora, nem nunca haverá.'' (Eckhart Tolle)

"A forma do mundo em que o homem nasceu já está dentro dele como imagem virtual."  (Carl Jung)

É hora de sairmos do casulo. Os céus se abrem e banham a Terra com as luzes da transformação. As consciências abertas se expandem. As almas se reconhecem.

Conscientize-se, acorde, saia da "Matrix", o momento é hoje. Assista, medite, repasse:

sábado, 8 de março de 2014

Dia Internacional da Mulher

Arte de Indra Grusait


“Trate as mulheres com o maior respeito. Ao homenagear as mulheres, você traz honra a si mesmo e a sua sociedade. Respeito pelas mulheres é a marca da verdadeira cultura.” – Sathya Sai Baba

“Não desejo para as mulheres que tenham poder sobre os homens, mas que tenham poder sobre si mesmas.” – Mary Wollstonecraft

"Eu sou aquela mulher que, na escalada da montanha da vida, removeu pedras e plantou flores". – Cora Coralina

“Aquele que conheceu apenas a sua mulher, e a amou, sabe mais de mulheres do que aquele que conheceu mil.” – Tolstoi

“Que nada nos defina. Que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância.” – Simone de Beauvoir

“As mulheres constituem a metade mais bela do mundo.” – Jean-Jacques Rousseau

“O homem é a água que voa; a mulher é o rouxinol que canta Voar é conquistar o espaço; cantar é conquistar a alma.” – Victor Hugo

“Uma mulher bonita não é aquela de quem se elogiam as pernas ou os braços, mas aquela cuja inteira aparência é de tal beleza que não deixa possibilidades para admirar as partes isoladas.” – Sêneca

NOTA: No Dia Internacional da Mulher, vale observar que o Brasil está em 7º lugar na categoria de países com maior número de homicídios femininos. A luta da mulher é a luta de todos nós. 


sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Agrotóxicos - Nossas Crianças Estão Adoecendo

O Brasil está numa contramão perigosíssima no que diz respeito aos agrotóxicos: é um dos países campeões em utilização desses pesticidas. Venenos proibidos em vários países aqui são ministrados em grande escala. 

Acordemos, antes que o mal se torne irreversível! Protestemos! 

Desordens neurológicas em crianças são associadas com produtos químicos

Produtos químicos tóxicos podem estar na base dos recentes aumentos nos problemas de desenvolvimento neurológico entre as crianças, tais como autismo, déficit de atenção e hiperatividade e dislexia.
Os pesquisadores dizem ser urgente a adoção de uma nova estratégia global de prevenção para controlar o uso dessas substâncias.
"A maior preocupação é o grande número de crianças que são afetadas por danos tóxicos ao desenvolvimento do cérebro sem um diagnóstico formal. Elas sofrem redução na capacidade de atenção, atraso no desenvolvimento e mau desempenho escolar. Produtos químicos industriais estão agora emergindo como as causas mais prováveis," disse Philippe Grandjean da Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard (EUA).
O estudo confirma conclusões semelhantes obtidas pelos mesmos autores em 2006, quando haviam sido identificados cinco produtos químicos industriais como "neurotóxicos ao desenvolvimento" ou produtos químicos que podem causar déficits cerebrais.
O novo estudo fornece resultados atualizados sobre os produtos químicos tóxicos já identificados e acrescenta informações sobre seis outros recém-reconhecidos pela sua neurotoxicidade, incluindo manganês, flúor, clorpirifós e DDT (pesticidas), tetracloroetileno (solvente) e os éteres difenil polibromados (retardadores de chama).
O manganês foi associado com a diminuição das funções intelectuais e prejuízo às habilidades motoras.
Os solventes são ligados à hiperatividade e ao comportamento agressivo.
Certos tipos de pesticidas podem causar atrasos cognitivos.
Venenos legalizados
Outros estudos já haviam indicado que os agrotóxicos podem ser causa de alergias alimentares, levando um cientista norte-americano a afirmar que estamos todos legalmente envenenados.
Os pesquisadores alertam que muitos outros produtos químicos, além dos cerca de uma dúzia já identificados como neurotóxicos, podem estar contribuindo para uma "pandemia silenciosa" de déficits neurocomportamentais que "está corroendo a inteligência, atrapalhando o comportamento e prejudicando a sociedade".
"Muito poucos produtos químicos foram regulamentados como resultado da neurotoxicidade para o desenvolvimento," escrevem os pesquisadores.
"O problema é de âmbito internacional, e a solução deve, portanto, ser também internacional," disse o Dr. Grandjean. "Temos os métodos disponíveis para testar produtos químicos industriais para efeitos nocivos sobre o desenvolvimento do cérebro das crianças - agora é a hora de tornar esses testes obrigatórios."

FONTE:

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Quando a Medicina Mata

O Diário da Saúde publicou a seguinte matéria, do interesse de todos:

A medicina salva muitos; mas também mata milhares

Você saberia dizer qual é a terceira principal causa de morte nos países mais desenvolvidos?
Dado que o câncer e as doenças do coração são muito citados, você poderia arriscar um palpite nos crimes, nos acidentes de carro, no diabetes ou nos acidentes vasculares cerebrais.
Você estaria errado.
A resposta é: mortes iatrogênicas - aquelas causadas por erros médicos, reações adversas a medicamentos ou infecções hospitalares.
O termo iatrogenia deriva do grego iatros (médico) e genia (origem, causa).
Só nos Estados Unidos, um levantamento realizado em 2000 apontou a ocorrência de 225.000 mortes por causas iatrogênicas por ano.

Quando a Medicina causa mortes

Com toda a capacidade da medicina moderna para aliviar o sofrimento e prevenir mortes prematuras, ela também causa as duas coisas em abundância.
Muitas intervenções médicas acabam tendo consequências negativas e não intencionais, que frequentemente surgem como resultado de pesquisas em busca de melhores tratamentos.
Embora muitas dessas ocorrências sejam facilmente identificáveis - os erros médicos, por exemplo - só agora estamos começando a descobrir seus efeitos mais nefastos.
Veja o câncer. Todos sabem o quanto os efeitos colaterais de uma quimioterapia podem ser perigosos: o tratamento pode enfraquecer o sistema imunológico do paciente a um ponto em que ele morre de uma infecção que, se estivesse sadio, não teria contraído ou nem notado.
Mas os problemas podem ser mais sérios. Descobertas recentes mostram que a capacidade das células tumorais de se espalhar para outras partes do corpo - a metástase - pode ser reforçada pela própria quimioterapia. Em outras palavras, em alguns casos, a quimioterapia pode tornar o câncer mais agressivo.
Ou considere um analgésico comum, que milhões de pessoas tomam para tornar uma gripe mais suportável.
Quando considerados em um nível populacional, esses analgésicos podem estar transformando as pessoas infectadas em propagadores de vírus mais eficientes.
Mais especulativamente, estão surgindo evidências de que as bactérias do intestino podem exercer influência significativa sobre a nossa saúde mental.
Se os efeitos observados nos estudos em animais forem observados também em humanos, poderemos ter de repensar práticas que vão desde o uso de antibióticos e da realização de exames preventivos até os transplantes.
O que se espera é que a comunidade científica e médica enfrente mais abertamente o problema das mortes iatrogênicas - os dados mais "recentes" sobre a questão são de 2000.
E, ao discutir a questão, permita que as decisões sobre medicamentos e tratamentos sejam melhor fundamentadas, e frutos de uma discussão aberta entre médicos e pacientes.

Fonte:

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Pérolas de Nelson Mandela


  • "Nosso medo maior não é de que sejamos incapazes. Nosso medo maior é de que sejamos poderosos além da medida estabelecida. É a nossa luz, não a nossa escuridão, que mais nos amedronta. Perguntamo-nos: quem sou eu para ser brilhante, atraente, talentoso, incrível? Na verdade, quem disse que sou tudo isso? Bancar o pequeno não ajuda o mundo. Não há nada de brilhante em encolher-se para que outras pessoas não se sintam inseguras em torno de você. É na medida que deixamos a nossa própria luz brilhar que damos às outras pessoas permissão para fazer o mesmo". 
  • "Ser pela liberdade não é apenas tirar as correntes de alguém, mas viver de forma que respeite e melhore a liberdade dos outros." 
  • "Ninguém nasce a odiar outra pessoa devido à cor da sua pele, ao seu passado ou religião. As pessoas aprendem a odiar, e, se o podem fazer, também podem ser ensinadas a amar, porque o amor é mais natural no coração humano do que o seu oposto." 
  • “A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo.” 
  • Sonho com o dia em que todos levantar-se-ão e compreenderão que foram feitos para viverem como irmãos. 
  • "Eu aprendi que a coragem não é a ausência de medo, mas o triunfo sobre ele. O homem corajoso não é aquele que não sente medo, mas aquele que conquista por cima do medo." 
  • "Se falares a um homem numa linguagem que ele compreenda, a tua mensagem entra na sua cabeça. Se lhe falares na sua própria linguagem, a tua mensagem entra-lhe diretamente no coração." 
  • "A prioridade é sermos honestos conosco. Nunca poderemos ter um impacto na sociedade se não nos mudarmos primeiro. Os grandes pacificadores são todos gente de grande integridade e honestidade mas, também, de humildade." 
  • "Depois de termos conseguido subir a uma grande montanha, só descobrimos que existem ainda mais grandes montanhas para subir." 
  • "Nascemos para manifestar a glória do Universo que está dentro de nós. Não está apenas em um de nós: está em todos nós.” 

  • “A bondade humana é uma chama que pode ser oculta, jamais extinta.”

domingo, 12 de janeiro de 2014

Vida Monástica e Ilusão

Muitas pessoas, cansadas da vida mundana ou cansadas dos reveses da vida ordinária, das injustiças, da falta de reconhecimento, passam a acalentar dentro de si a ilusão de que, se passarem a viver uma vida monástica, se conseguirem se mudar para um ashram onde possam viver em grupo, seguindo rígidas normas, vão se tornar iluminadas. Neste pensamento vai embutida uma ambição muito forte, a ambição espiritual - a mais difícil de ser extirpada do coração do buscador.

Ter ou não uma vida monástica, participar ou não de um ashram é uma decisão pessoal. Qualquer estilo de vida que o buscador decida adotar é o estilo de vida que ele precisa para o momento dele e não deve ser condenado. Há monges, santos e iluminados que atingiram sua autorrealização utilizando o instrumento da vida monástica. Porém... libertação para uns poucos, prisão para muitos: se não for extirpada a ambição, se não houver uma rigorosa auto-observação, os mosteiros e ashrams servirão apenas de gaiolas de almas.

Tendo passado por vários ashrams e pesquisado intensamente a alma humana, o filósofo britânico ainda pouco conhecido Paul Brunton (1898-1981) nos deixou reflexões valiosas. Ele, que percorreu a Índia, nos anos 30, encontrando iogues e homens santos, bebendo de todas as fontes, sentiu uma profunda atração pelo líder espiritual Shankaracharya e por Sri Ramana Maharshi, o Sábio de Arunachala (não confundir com o Maharish Mahesh Yogi).

Brunton deixou alguns livros publicados e um legado de escritos que refletem sua grande sabedoria, encoberta num modo de viver simples, tranquilo, sem holofotes ou busca de reconhecimento mundano.

Aqui estão algumas das suas pérolas sobre a armadilha da vida monástica:  
  • Se as pessoas desejarem praticar a ética filosófica e por em prática os ideais filosóficos, não precisam nem devem viver reunidas em pequenas comunidades ou mosteiros. Elas podem e devem fazê-lo exatamente no lugar onde estão. Tais comunidades acabam por se desagregar, tais mosteiros por se deteriorar. (...)Na verdade, a experiência nesses locais mostra como é tola a noção de que neles realmente se promove o avanço espiritual de seus membros. É aí que se evidencia a diferença vital entre filosofia e misticismo. A filosofia é um ensinamento que pode ser aplicado a toda e qualquer situação da vida. Não é algo que possa resistir somente em estufas artificiais.
  • O caráter ascético transforma-se facilmente em caráter farisaico. O caráter monástico facilmente passa a depreciar aqueles que vivem no mundo e a se vangloriar por adotar um modo superior de vida. Tudo isso não é necessariamente verdade.

  • Não é provável que uns poucos sonhadores que se escondem do mundo, receosos de enfrentar a vida cotidiana, influenciem ou elevem esse mundo.

  • Outro perigo desses retiros monásticos é o de cair numa letargia piedosa de suposta renuncia, que é tão inútil para o místico quanto estéril para a humanidade.

  • O fato é que o homem carrega a si mesmo onde quer que vá, que o verdadeiro trabalho a ser feito deve realizar-se no interior de seu coração e de sua mente, não no interior de um ashram, e que tal transferência geográfica não tem nem mesmo metade do valor que seus defensores julgam ter.
  • O ambiente por si só não traz iluminação espiritual. Você pode permanecer num ashram até o Dia do Juízo e sair tão escuro como entrou. A menos que sejam estabelecidas condições interiores adequadas, a menos que a mentalidade e o caráter tenham sido preparados e purificados, viajar p/ o Oriente ou sentar-se aos pés de gurus pode levar apenas a uma alucinação de iluminação.
  • Um ashram deveria ser um lugar onde se pudesse usufruir os benefícios de uma atmosfera espiritual, da discussão metafísica, da meditação mística e de uma vida exemplar; mas, infelizmente muitas vezes a distância entre o que é e o que deveria ser é grande demais para ser ignorada. Aqueles que buscam pequenas utopias em pequenos ashrams podem encontrá-las, porém somente a custa de substituir a realidade pela imaginação. Os crédulos consideram isso fácil. Confortavelmente acomodados, meio adormecidos ou sonhando o tempo todo em seus ashrams, o que significou a guerra para eles? Nada, pois na verdade seu estrondo não chegou até suas vidas complacentes.

  • A mente continuamente voltada p/ si mesma tende com o tempo a exagerar a própria importância. É por isso que os ascetas e monges são muitas vezes um pouco desequilibrados ou excessivamente obsecados por si mesmos.
  • O fracasso em conseguir a elevação moral no mundo fora dos locais de retiro é comparável ao fracasso da luta moral que existe no pequeno mundo deles.
  • A lei da compensação atua em todos os lugares. Se o discípulo se julga superior pelo fato de viver num local sagrado de retiro ou de estar ligado a um mestre, existe o perigo de ele cair na ilusão de um rápido progresso, quando de fato não há nenhum. Pois, diante do estímulo emocional oferecido por tal local ou por tal mestre, ele pode naturalmente sentir que está agora num nível de caráter, de espiritualidade e até de consciência muito superior ao anterior. Em certo sentido, esse sentimento é verdadeiro. Ele não se dá conta, entretanto, de que esse estímulo um dia será retirado (aqui não é necessário explicar como nem por que), de que essa condição é apenas temporária e de que ele é realmente como um homem que se expõe ao sol e imagina que o calor e a luz irradiam dele e não de uma fonte exterior.
PAUL BRUNTON, Relax e Solitude (págs 304 e 305)

*Agradecimentos à nossa amiga Gena Teresa pelo envio.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Vida, Morte e Mistério

 "Aqueles que amamos nunca morrem, apenas partem antes de nós."
(Amado Nervo)


Vós conheceis o segredo da morte.
Mas como o encontrareis a menos que o procureis no âmago do coração?
O mocho cujos olhos noturnos são cegos para a claridade,
não pode desvendar o mistério da luz.
Se quereis verdadeiramente conhecer o espírito da morte,
abri o vosso coração até ao corpo da vida.
Pois vida e morte são uma só, tal como o são o rio e o mar.
Na profundeza dos vossos desejos e esperanças
está a consciência silenciosa do além;
e tal como as sementes que sonham sob a neve,
também o vosso coração sonha com o desabrochar.
Confiai nos sonhos, pois neles está a porta para a eternidade.
O vosso medo da morte não é mais do que o temor do pastor
quando se vê perante o rei que ergue a sua mão para o honrar.
E sob a sua tremura, não está feliz o pastor,
por trazer em si a insígnia do rei?
E, no entanto, não está mais consciente do seu tremor?
Pois o que é morrer senão ficar nu ao vento e fundir-se com o sol?
E o que é deixar de respirar senão
libertar a respiração das suas inquietações
a fim de ela poder elevar-se e expandir-se até Deus?
Só quando beberdes do rio do silêncio sereis capazes de cantar.
E quando chegardes ao cimo da montanha,
podereis então começar a subir.
E quando a terra reclamar o vosso corpo,
então sereis verdadeiramente capazes de dançar.

(Khalil Gibran, O Profeta)

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Feliz Ano Novo

Que 2014 nos traga, paz, amor, alegria, e, principalmente, CONSCIÊNCIA!

OM! Lokah Samastah
Sukhino Bhavantu!

Que todos os seres sejam felizes e bem-aventurados!


Assista:


www.youtube.com/watch?v=XA6dcdi--Ww

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Consumismo Cego

"Acredita-se que para alcançar aceitação social, temos que agir igual aos outros. Todos, então, se tornam parecidos e desejam as mesmas coisas. As singularidades de cada um desaparecem, chegando a um ponto em que não dá mais para saber o que realmente se deseja ou o que se aprendeu a desejar."

(Regina Navarro)

Mais um Natal e a velha história, o velho comportamento, os velhos hábitos se repetem.
Muito oportunamente, um amigo nosso colocou esta foto no seu perfil do Facebook. Como diz o ditado, uma foto vale mais do que mil palavras; e a foto acima diz tudo: a turba, cega, vai às compras. Consumir e consumir, sem reflexão. Este é o espírito deturpado do Natal. Isto é o que fizemos com o Natal. 

Paremos um segundo, que seja, para refletir. Precisamos ir atrás da manada? Precisamos seguir os apelos mercantilistas? O que estamos festejando, afinal? 

Afora o consumismo desenfreado, outro contra-senso é participar da grande matança, principalmente de perus. É um grande massacre. E fazemos isto com o coração tranquilo de que estamos "enaltecendo a paz", estamos festejando condignamente aquele que nos trouxe a paz! 

É tempo de tirar as viseiras e observar quão hipócrita é o nosso comportamento. Além das embalagens bonitas de tenders, perus e presuntos existe um mundo cruel, de muita dor e sofrimento que os invólucros não mostram. Olhar para este mundo com profundidade, ver o que está além das coloridas aparências é urgente. Quanto mais as populações se tornam maciças, maior é a matança de animais e mais se desenvolvem fórmulas para que as crias (vistas não como crias, não como seres, mas como mercadoria) engordem mais rápido e dêem lucro mais cedo. Hormônios, alimentação artificial, espaços reduzidos, lâmpadas acesas, qualquer instrumento de tortura vale, desde que o animal consuma mais alimento e dê continuação lucrativa a essa indústria insana e selvagem.

Entretanto, pequenos sinais de mudança começam a aparecer, aqui e ali. O despertar começa a ocorrer. Leia o texto abaixo, publicado no Jornal Ganapati e em vários sites e blogs pró-vegetarianismo:

Padre nova-iorquino leva o veganismo e os direitos animais para dentro da Igreja

Frank Mann, um padre de Nova York, está causando uma verdadeira revolução em sua igreja. Recentemente, ele teve um despertar pessoal profundo para o sofrimento dos animais e, desde então, incorporou o veganismo e a defesa dos direitos animais em sua vida espiritual, visando um mundo mais justo e pacífico, inspirado por visionários como Dorothy Day e Thomas Merton, que têm mostrado compaixão e liderança moral em face da injustiça contra animais.
O padre afirma que, um dia, viu um outdoor na rua com duas imagens: um filhote de cão e um leitãozinho. Observando as duas imagens, o padre diz ter pensado, pela primeira vez, no que realmente diferenciava um e outro. “A mensagem saltou e agitou-se na minha alma. Por que amo um, mas como o outro? No dia seguinte, deixei de comer carne de qualquer animal (incluindo peixes). Continuando a olhar a mensagem do outdoor, pelo que parecia ser uma eternidade, eu pensei comigo mesmo: são porcos, vacas, galinhas e perus muito diferentes de gatos e cães?”

O religioso, através de seu contato com as pessoas, decidiu levar, além da palavra cristã, o amor e a compaixão aos animais em seus discursos.

“O que me angustia, no entanto, é a falta intrigante e angustiante de qualquer oposição clara e vocal à crueldade animal, dentro da Igreja. A Igreja sempre foi um campeão forte para a dignidade da vida humana em meio a uma cultura de morte e estou um pouco decepcionado e triste com a ausência de qualquer forma significativa, inspiradora e motivacional de pregação pelos animais, para escrever e ensinar questões tão urgentes como os direitos animais e seu bem-estar e segurança”, escreveu o padre no site The Tablet.

Padre Frank é um bom exemplo de como a compaixão e a consciência do direito à vida de cada animal faz parte, também, de uma vida espiritual sadia, independente de uma religião, crença ou seita.

Os animais fazem parte de nossa vida e escolher fazer parte, positivamente, da vida de cada um deles está nas suas mãos. Seja vegano e lute pelo fim da tortura e sofrimento de todos os animais. 

terça-feira, 26 de novembro de 2013

A Vida em Pleno

Diariamente criticamos o destino: "Por que foi este homem arrebatado a meio da carreira? E aquele, por que não morre, em vez de prolongar uma velhice tão penosa para ele como para os outros?" 

Diz-me cá, por favor: o que achas tu mais justo, seres tu a obedecer à natureza ou a natureza a ti? Que diferença faz sair mais ou menos depressa de um lugar de onde temos mesmo de sair?

Não nos devemos preocupar em viver muito, mas sim em viver plenamente; viver muito depende do destino, viver plenamente, da nossa própria alma.

Uma vida plena é longa quanto basta; e será plena se a alma se apropria do bem que lhe é próprio e se apenas a si reconhece poder sobre si mesma. Que interessa os oitenta anos daquele homem passados na inacção? Ele não viveu, demorou-se nesta vida; não morreu tarde, levou foi muito tempo a morrer! "Viveu oitenta anos!". O que importa é ver a partir de que data ele começou a morrer. "Mas aquele outro morreu na força da vida". É certo, mas cumpriu os deveres de um bom cidadão, de um bom amigo, de um bom filho, sem descurar o mínimo pormenor; embora o seu tempo de vida ficasse incompleto, a sua vida atingiu a plenitude.

"Viveu oitenta anos". Não, existiu durante oitenta anos, a menos que digas que ele viveu no mesmo sentido em que falas na vida das árvores. Peço-te insistentemente, Lucílio: façamos com que a nossa vida, à semelhança dos materiais preciosos, valha pouco pelo espaço que ocupa, e muito pelo peso que tem. Avaliemo-la pelos nossos atos, não pelo tempo que dura.

Queres saber qual a diferença entre um homem enérgico, que despreza a fortuna, cumpre todos os deveres inerentes à vida humana e assim se alça ao seu supremo bem, e um outro por quem simplesmente passam numerosos anos? O primeiro continua a existir depois da morte, o outro já estava morto antes de morrer!

Louvemos, portanto, e incluamos entre os afortunados o homem que soube usar com proveito o tempo, mesmo exíguo, que viveu. Contemplou a verdadeira luz; não foi um como tantos outros; não só viveu, como o fez com vigor.

Séneca, in 'Cartas a Lucílio'

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Quem Adoece Primeiro: o Corpo ou a Alma?

Entrevista com o Dr. Jorge Carvajal, médico cirurgião da Universidade de Andaluzia, Espanha, pioneiro da Medicina Bioenergética.

QUAL ADOECE PRIMEIRO, CORPO OU ALMA?
A alma não pode adoecer, porque é o que há de perfeito em ti, a alma evolui, aprende. Na realidade, boa parte das enfermidades são exatamente o contrário: são a resistência do corpo emocional e mental à alma. Quando nossa personalidade resiste aos desígnios da alma, adoecemos.

SAÚDE E EMOÇÕES

Há emoções prejudiciais à saúde? Quais são as que mais nos prejudicam?


70 por cento das enfermidades do ser humano vêm do campo da consciência emocional. As doenças muitas vezes procedem de emoções não processadas, não expressadas, reprimidas.
O medo, que é a ausência de amor, é a grande enfermidade, o denominador comum de boa parte das enfermidades que temos hoje. Quando o temor se congela, afeta os rins, as glândulas suprarrenais,os ossos, a energia vital, e pode converter-se em pânico.


Então nos fazemos de fortes e descuidamos de nossa saúde?

De heróis os cemitérios estão cheios. Tens que cuidar de ti. Tens teus limites, não vás além. Tens que reconhecer quais são os teus limites e superá-los, pois, se não os reconheceres, vais destruir teu corpo.

Como é que a raiva nos afeta?

A raiva é santa, é sagrada, é uma emoção positiva, porque te leva à autoafirmação, à busca do teu território, a defender o que é teu, o que é justo. Porém, quando a raiva se torna irritabilidade, agressividade, ressentimento, ódio, ela se volta contra ti e afeta o fígado, a digestão, o sistema imunológico.

Então a alegria, ao contrário, nos ajuda a permanecer saudáveis?

A alegria é a mais bela das emoções, porque é a emoção da inocência, do coração e é a mais curativa de todas, porque não é contrária a nenhuma outra. Um pouquinho de tristeza com alegria escreve poemas. A alegria com medo leva-nos a contextualizar o medo e a não lhe darmos tanta importância.

A alegria acalma os ânimos?

Sim, a alegria suaviza todas as outras emoções, porque nos permite processá-las a partir da inocência.A alegria põe as outras emoções em contato com o coração e dá-lhes um sentido ascendente. Canaliza-as para que cheguem ao mundo da mente.

E a tristeza?

A tristeza é um sentimento que pode te levar à depressão quando te deixas envolver por ela e não a expressas, porém ela também pode te ajudar. A tristeza te leva a contatares contigo mesmo e a restaurares o controle interno. Todas as emoções negativas têm seu próprio aspecto positivo.Tornamo-las negativas quando as reprimimos.

Convém aceitarmos essas emoções que consideramos negativas como parte de nós mesmos?

Como parte para transformá-las, ou seja, quando se aceitam, fluem, e já não se estancam e podem se transmutar. Temos de as canalizar para que cheguem à cabeça a partir do coração. 

Que difícil! 


Sim, é muito difícil. Realmente as emoções básica são o amor e o medo (que é ausência de amor), de modo que tudo que existe é amor, por excesso ou deficiência. Construtivo ou destrutivo. Porque também existe o amor que se aferra, o amor que superprotege, o amor tóxico, destrutivo.

COMO PREVENIR ENFERMIDADES

Somos criadores, portanto creio que a melhor forma é criarmos saúde. E, se criarmos saúde, não teremos que prevenir nem combater a enfermidade, porque seremos saúde.

E se aparecer a doença?

Teremos, pois, de aceitá-la, porque somos humanos. Krishnamurti também adoeceu de um câncer de pâncreas e ele não era alguém que levasse uma vida desregrada. Muita gente espiritualmente muito valiosa já adoeceu. Devemos explicar isso para aqueles que creem que adoecer é fracassar.O fracasso e o êxito são dois mestres e nada mais. E, quando tu és o aprendiz, tens que aceitar e incorporar a lição da enfermidade em tua vida... Cada vez mais as pessoas sofrem de ansiedade. A ansiedade é um sentimento de vazio, que às vezes se torna um oco no estômago, uma sensação de falta de ar. É um vazio existencial que surge quando buscamos fora em vez de buscarmos dentro. Surge quando buscamos nos acontecimentos externos, quando buscamos muleta, apoios externos, quando não temos a solidez da busca interior. Se não aceitarmos a solidão e não nos tornarmos nossa própria companhia, sentiremos esse vazio e tentaremos preenchê-lo com coisas e posses. Porém, como não pode ser preenchido de coisas, cada vez mais o vazio aumenta.

Então, o que podemos fazer para nos libertarmos dessa angústia?

Não podemos fazer passar a angústia comendo chocolate ou com mais calorias, ou buscando um príncipe fora. Só passa a angústia quando entras em teu interior, te aceitas como és e te reconcilias contigo mesmo. A angústia vem de que não somos o que queremos ser, muito menos o que somos, de modo que ficamos no "deveria ser", e não somos nem uma coisa nem outra.O stress é outro dos males de nossa época. O stress vem da competitividade, de que quero ser perfeito, quero ser melhor, quero ter uma aparência que não é minha, quero imitar. E realmente só podes competir quando decides ser um competidor de ti mesmo, ou seja, quando queres ser único, original, autêntico e não uma fotocópia de ninguém. O stress destrutivo prejudica o sistema imunológico. Porém, um bom stress é uma maravilha, porque te permite estar alerta e desperto nas crises e poder aproveitá-las como oportunidades para emergir a um novo nível de consciência.

O que nos recomendaria para nos sentirmos melhor com nós mesmos?

A solidão. Estar consigo mesmo todos os dias é maravilhoso. Passar 20 minutos consigo mesmo é o começo da meditação, é estender uma ponte para a verdadeira saúde, é aceder o altar interior, o ser interior. Minha recomendação é que a gente ponha o relógio para despertar 20 minutos antes, para não tomar o tempo de nossas ocupações. Se dedicares, não o tempo que te sobra, mas esses primeiros minutos da manhã, quando estás rejuvenescido e descansado, para meditar, essa pausa vai te recarregar, porque na pausa habita o potencial da alma.

O que é para você a felicidade?

É a essência da vida. É o próprio sentido da vida. Estamos aqui para sermos felizes, não para outra coisa. Porém, felicidade não é prazer,é integridade. Quando todos os sentidos se consagram ao ser, podemos ser felizes. Somos felizes quando cremos em nós mesmos, quando confiamos em nós, quando nos empenhamos transpessoalmente a um nível que transcende o pequeno eu ou o pequeno ego. Somos felizes quando temos um sentido que vai mais além da vida cotidiana, quando não adiamos a vida, quando não nos alienamos de nós mesmos, quando estamos em paz e a salvo com a vida e com nossa consciência. Viver o Presente.

IMPORTANTE É VIVER NO PRESENTE

Deixamos ir-se o passado e não hipotecamos a vida às expectativas do futuro quando nos ancoramos no ser e não no ter, ou a algo ou alguém fora. Eu digo que a felicidade tem a ver com a realização, e esta com a capacidade de habitarmos a realidade. E viver em realidade é sairmos do mundo da confusão.

Na sua opinião, estamos tão confusos assim?

Temos três ilusões enormes que nos confundem:

Primeiro: cremos que somos um corpo e não uma alma, quando o corpo é o instrumento da vida e se acaba com a morte.

Segundo: cremos que o sentido da vida é o prazer, porém com mais prazer não há mais felicidade, senão mais dependência.. Prazer e felicidade não são o mesmo. Há que se consagrar o prazer à vida e não a vida ao prazer.

Terceiro: ilusão é o poder; desejamos o poder infinito de viver no mundo. 


E do que realmente necessitamos para viver? Será de amor, por acaso?

O amor, tão trazido e tão levado, e tão caluniado, é uma força renovadora. O amor é magnífico porque cria coesão. No amor tudo está vivo, como um rio que se renova a si mesmo. No amor a gente sempre pode renovar-se, porque ordena tudo. No amor não há usurpação, não há transferência, não há medo, não há ressentimento, porque quando tu te ordenas, porque vives o amor, cada coisa ocupa o seu lugar, e então se restaura a harmonia. Agora, pela perspectiva humana, nós o assimilamos com a fraqueza, porém o amor não é fraco. Enfraquece-nos quando entendemos que alguém a quem amamos não nos ama. Há uma grande confusão na nossa cultura. Cremos que sofremos por amor, porém não é por amor, é por paixão, que é uma variação do apego. O que habitualmente chamamos de amor é uma droga. Tal qual se depende da cocaína, da maconha ou da morfina, também se depende da paixão. É uma muleta para apoiar-se, em vez de levar alguém no meu coração para libertá-lo e libertar-me.. O verdadeiro amor tem uma essência fundamental que é a liberdade, e sempre conduz à liberdade. Mas às vezes nos sentimos atados a um amor. Se o amor conduz à dependência é Eros. Eros é um fósforo, e quando o acendes ele se consome rapidamente em dois minutos e já te queima o dedo. Há amores que são assim, pura chispa. Embora essa chispa possa servir para acender a lenha do verdadeiro amor. Quando a lenha está acesa, produz fogo. Esse é o amor impessoal, que produz luz e calor.

Pode nos dar algum conselho para alcançarmos o amor verdadeiro?

Somente a verdade. Confia na verdade; não tens que ser como a princesa dos sonhos do outro, não tens que ser nem mais nem menos do que és. Tens um direito sagrado, que é o direito de errar; tens outro, que é o direito de perdoar, porque o erro é teu mestre.

Ama-te, sê sincero contigo mesmo e leva-te em consideração. Se tu não te queres, não vais encontrar ninguém que possa te querer. Amor produz amor. Se te amas, vais encontrar amor. Se não, vazio. Porém nunca busques migalhas, isso é indigno de ti. A chave então é amar-se a si mesmo. E ao próximo como a ti mesmo. Se não te amas a ti, não amas a Deus, nem a teu filho, porque estás apenas te apegando, estás condicionando o outro. Aceita-te como és; não podemos transformar o que não aceitamos, e a vida é uma corrente permanente de transformações.


(Agradecendo a Marilu Martinelli o envio).