segunda-feira, 16 de abril de 2012

Esteja Atento

"O alcance do que pensamos e fazemos 
é limitado pelo que deixamos de notar.
E por deixarmos de notar que deixamos de notar
pouco podemos fazer para mudar,
até que notemos
como o deixar de notar
forma nossos pensamentos e ações."
(R.D. Laing)


Será que já paramos para refletir sobre o mundo de coisas que deixamos de notar por estarmos distraídos? E - mais - será que já paramos para sentir o quanto o nosso "notar" está impregnado de julgamento? 
Recebi e repasso o texto a seguir, para nossa reflexão, da minha amiga Marilu Martinelli (http://mitologiacomentada.blogspot.com). O texto veio sem autor.



"Esteja atento a tudo, às árvores, a esta palmeira, ao céu; ao mugido das vacas, à luz sobre a folhagem, sobre esse rosto; em seguida, mergulhe seus olhos em si mesmo. Pode-se observar e ter uma consciência sem escolha de coisas externas – é muito fácil. Mas entrar no seu próprio universo interior é tornar-se consciente do que está acontecendo dentro de si – tanto de suas crenças, de seus medos, seus dogmas, suas esperanças e suas frustrações, como as de suas ambições e tudo o mais. Assim, o consciente e o inconsciente começam a se revelar. Mas para isso você deve se abster de agir. É preciso simplesmente tomar consciência das coisas, sem condenação, sem nada forçar, sem tentar mudar aquilo do que você se tornou consciente. O que você vai testemunhar se parece com a maré crescente. O aumento da maré é irresistível: nada – nem um muro ou qualquer outra coisa – pode impedir sua tremenda energia. Da mesma forma, se você prestar atenção, sem escolha ou exclusão, a totalidade da consciência começa a se implementar sob esse olhar. E a medida que se revela, devemos seguir o movimento; e isso se torna extremamente difícil, na medida em que é necessário seguir o movimento de cada pensamento, cada sentimento, cada desejo secreto. As coisas se tornam difíceis a partir do momento em que você começa a resistir, a partir do instante em que você diz “essa coisa é horrível”. “Isso é bom”. “Essa outra é ruim”. “Vou manter isso e rejeitar aquilo.” Então você começa pelo plano exterior, para passar, em seguida, para o plano interior. Você vai perceber então, ao abordar o plano interior, que os dois planos – interior e exterior – não estão dissociados, e a tomada de consciência do mundo exterior e do nosso mundo interior são idênticos. Você constatará então que vive no passado, nunca houve em sua existência um instante de vida autêntica, um momento em que não houvesse mais passado nem futuro – dito de outra forma, um momento real. Você vai descobrir que você vive perpetuamente no passado, na memória – lembranças de suas experiências, do que você era: tão inteligente, tão bom, tão ruim. Estas são as lembranças, a memória. Então você tem que entender a memória, não negá-la não sufocá-la ou fugir dela. Aquele que fez voto de celibato, por exemplo, se agarra à lembrança deste voto e quando ele se distancia desta lembrança, ele se sente culpado e toda a sua vida é como que  asfixiada. Você começa a prestar atenção em tudo e é assim que a sua sensibilidade se refina: atento à escuta, atento não só ao mundo exterior, aos gestos externos, mas também ao que está em você, a esse espírito que olha e que, portanto, sente – e quando você exerce uma atenção sem escolha, todo o esforço está ausente. É importante entender isso."

Não podemos esquecer que "estar atento" é uma das chaves para o autoconhecimento.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Do Casulo e das Nossas Impaciências


O grande escritor e filósofo grego Nikos Kazantzakis (“Zorba, o Grego”) conta que, quando criança, reparou num casulo preso a uma árvore, onde uma borboleta preparava-se para sair. Esperou algum tempo, mas – como estava demorando muito – resolveu acelerar o processo. Começou a esquentar o casulo com seu hálito; a borboleta terminou saindo, mas suas asas ainda estavam presas, e terminou por morrer pouco tempo depois.
“Era necessária uma paciente maturação feita pelo sol, e eu não soube esperar”, diz Kazantzakis. “Aquele pequeno cadáver é, até hoje, um dos maiores pesos que tenho na consciência. Mas foi ele que me fez entender o que é um verdadeiro pecado mortal: forçar as grandes leis do universo. É preciso paciência, aguardar a hora certa, e seguir com confiança o ritmo que Deus escolheu para nossa vida”.

Sempre que leio algo assim, minha fé se renova. Minha fé de que muitos de nós estão aptos a dar o salto espiritual que o momento exige.
Alguns poderão rir do fato de se poder ficar com peso na consciência pela morte de uma borboleta. Nossa educação contemporânea ainda é extremamente falha quanto ao sentido das coisas, quanto ao desenvolvimento da sensibilidade com referência a todos os seres viventes e sua intrínseca importância e correlação com tudo o que existe.
É de Kazantzakis a frase: “Você não é um ser humano que está tendo uma experiência espiritual. Você é um ser espiritual que está tendo uma experiência humana”.
Seres espirituais tendo uma experiência humana. Será que temos dúvida quanto a isto? Temos, sim, quando não procuramos desenvolver os valores do espírito; quando somos violentos (com atos, palavras ou pensamentos); quando somos inertes, deixando sempre para depois o que deveríamos ter feito ontem; quando apontamos o dedo na cara do outro e tememos o espelho. E quando entramos nessa onda de aceleramento global.
Tudo tem seu ritmo. Estamos nos forçando a um ritmo que não é o nosso, não é o ritmo da nossa natureza. Vivemos com pressa, correndo contra o tempo, especialmente nos grandes centros urbanos. Por vivermos com pressa, começamos a nos habituar a um novo ritmo. E criamos um descompasso entre este novo ritmo acelerado e o ritmo cósmico, sagrado, aquele que nos diz, repetindo o filósofo: “É preciso ter paciência, aguardar a hora certa e seguir com confiança o ritmo que Deus escolheu para nossa vida”.
Sim, muitas vezes não parece fácil. Como mudar? Como dizer isto a um funcionário de uma fábrica que precisa mostrar rapidez e produção com um mínimo de tempo? Como dizer isto a um empregado de uma lanchonete fast-food? Podemos criar um movimento contrário. Aliás, já existe um movimento assim, na Europa, como reação ao fast-food.
E como surgem esses movimentos? Surgem a partir de uma ou duas pessoas que começam a refletir, que começam a sair da mentalidade mecânica de repetição. Os movimentos contrários surgem a partir de um questionamento básico, uma rápida parada para pensar: “Para onde estão me levando? Onde chegarei nesse ritmo?” A partir daí, começamos a abrir clareiras na nossa mente, na nossa vida.
Um mero relaxamento, um momento de meditação, uma pausa musical, um instante para admirar a natureza, para interagir com uma criança, coisas simples assim que qualquer pessoa pode fazer, são suficientes, na maioria das vezes, para acalmar uma ansiedade.
As borboletas nos ensinam muito. Aprendamos com elas a confiar na sabedoria do pulsar do universo.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Equinócio e Interiorização

"Felizes aqueles que reconhecem os Deuses em todas as suas formas; sabem que Eles falam todos os idiomas, são de todas as cores e dançam de todas as formas." (Anônimo)

Este pensamento me evoca um tempo que talvez eu tenha vivido, talvez não... Penso que já fui celta um dia, participando ativamente daqueles rituais alegres, em que a espiritualidade era algo leve e tão profundamente ligado à Terra e às estações.
Recebi alguns e-mails interessantes sobre a simbologia do Equinócio (20 de março: Equinócio da Primavera no hemisfério norte e Equinócio do Outono no hemisfério sul).
Na astronomia, equinócio significa o momento em que o sol cruza a linha do equador terrestre projetada na esfera celeste.
A palavra equinócio vem da junção de duas palavras do latim: aequus (igual) e nox (noite). Portanto, significa "noites iguais", porque nessas ocasiões o dia e a noite possuem a mesma duração. Os equinócios ocorrem nos meses de março e setembro, quando definem mudanças de estação. 
Nosso calendário cristão é baseado nos equinócios.
De acordo com a Astrologia, é quando o sol, na sua trajetória anual, encontra-se no grau zero do signo de Áries que o ano realmente tem início. 

Antigamente, nos tempos em que a humanidade não era tão "tecnológica" e, portanto, mais próxima à natureza e suas mudanças, a transição das estações era uma ocasião marcante, de muita celebração entre as pessoas. Os equinócios e solstícios eram muito festejados, e o aspecto religioso desses festejos não estava apartado da Mãe Natureza e seus ciclos - momento de semear, momento de colher.
Estar ligado aos ciclos da Terra é estar ligado a si mesmo, uma vez que somos filhos da Terra e tudo o que acontece à Terra acontece a nós, à nossa natureza interna. Quanto mais nos distanciamos da natureza, mais artificiais nos tornamos, mais perdidos, mais fora do nosso eixo central.
Ao tempo em que nos afastamos dessa celebração mais simples e pura, despretensiosa e despojada, manifestada em danças de roda ao ar livre, alegria de viver por viver, confraternização comunitária em sintonia com os ciclos terrenos, perdemos muito da nossa alma. Basta olhar como são nossas celebrações de hoje. Música (eu disse música?) estridente, alto consumo de álcool e drogas são normais entre nossos jovens. Excessos. E não somente os jovens se entregam a estes excessos. O que dizer do nosso consumismo quando chega o Natal e o final do ano?
Estamos nos perdendo nesses excessos todos. Não há interiorização.
Todos os momentos são importantes para uma introspecção, mas o instante do equinócio pode ser de ajuda. 
Procure um local junto à natureza, se não for possível crie esse lugar com sua imaginação. Faça silêncio, contemple seu interior. Busque sua própria singularidade e, enquanto faz isto, aproveite para jogar fora o que está velho ou o que não é usado. Reestruture a sua vida, remoldando os pensamentos (tudo começa aí), modificando os hábitos, revendo seu potencial. 
E alegre-se! Há sempre uma nova estação!

segunda-feira, 12 de março de 2012

Lobo - Enigma e Aprendizagem

Lobos, venham!
Revelem o que perdi,
Minha natureza forte e inquebrantável!
Devolvam meu espírito livre,
A correr e percorrer montanhas e planícies
Conquistando espaços e canções.
Venham, uivem aos meus ouvidos
E despertem minha alma adormecida.

(Dora Lakshmi, março/2012)

Tive a agradável surpresa de descobrir, semana passada, que pelo horóscopo xamânico eu sou do signo do Lobo (Lobo: 21 de fevereiro a 20 de março – a Lua dos Grandes Ventos).
Sempre tive fascinação por lobos (talvez por isto tenha adotado três huskies no passado). E descobri coisas fantásticas sobre eles em minhas pesquisas.
Sem sombra de dúvida, ele é uma das mais misteriosas criaturas do reino animal. Enigmático, belo em sua natureza indomável, o lobo invadiu o imaginário popular com lendas, superstições e histórias reais e surrealistas. Desde o famoso Chapeuzinho Vermelho até as tenebrosas histórias de lobisomen, ele reina pelo tempo, desafiando aqueles que tentam decifrá-lo.

Curiosidades

Versátil e adaptável, o lobo tem se desenvolvido nos mais diversos ambientes, como  florestas, desertos, montanhas, tundras, campos e mesmo áreas urbanas.
A saliva dos lobos tem o poder de reduzir a infecção bacteriana em feridas e acelerar a regeneração dos tecidos. Sua audição é capaz de ouvir a queda de uma simples folha. Seu olfato é cerca de 10 vezes mais apurado que o dos cães domésticos e 100 vezes melhor que o dos humanos. Duzentos milhões de células nervosas olfativas dentro de seus focinhos detectam informações precisas sobre a origem dos cheiros. Seus olhos são oblíquos e à noite brilham como brasas. Sua visão noturna é a mais avançada da família dos canídeos.
Animal gregário e fiel, valoriza a família e possui um sistema hierárquico altamente sofisticado. Através de uma linguagem corporal singular, é possível dizer a posição do lobo na hierarquia da matilha pela simples observação de sua postura. 
Os lobos também são lendários devido aos uivos noturnos, usados tanto para se comunicar como para advertir os adversários da sua presença, ou ainda como chamado para o acasalamento. O uivo de um lobo pode ser ouvido numa distância de 1 km.

A ameçada dos humanos

Ao contrário do que sempre se divulgou, os lobos não são uma ameaça para os humanos, o homem é que é um perigo para os lobos. Com a redução das florestas, seu território vem sendo reduzido, o que os obriga a atacar outros animais domésticos, sobretudo ovelhas, por uma questão de sobrevivência. Isto gera ira nos criadores, que procuram como solução acabar com os lobos nas suas zonas de pasto, perseguindo-os e reduzindo assim drasticamente sua população.

Simbologia Oculta (um zoom no nosso lobo interno)

"Os lobos saudáveis e as mulheres saudáveis têm certas características psíquicas em comum: percepção aguçada, espírito brincalhão e uma elevada capacidade para a devoção. Os lobos e as mulheres são gregários por natureza, curiosos, dotados de grande resistência e força. São profundamente intuitivos e têm grande preocupação para com seus filhotes, seu parceiro e sua matilha. Têm experiência em se adaptar a circunstâncias em constante mutação. Têm uma determinação feroz e extrema coragem.”
(Clarissa Pinkolas Estés, escritora e psicanalista)

A simbologia do Lobo remonta aos tempos antigos. O que há de tão inquietante nele? A mudança é um dos símbolos ocultos do lobo. Ele é um mestre catalisador da transformação. Daí porque tornou-se um símbolo tão inquietante para a humanidade, num mundo em que a grande maioria não gosta e não aceita a transformação, apenas se preocupa em manter o status quo.
Paradoxalmente, conquanto seja ligado à família, o lobo sabe preservar, com sabedoria, sua solidão e individualidade. Saber viver com os outros e, ao mesmo tempo, ter a consciência de que é preciso isolar-se para ouvir a própria intuição é uma das maiores lições que o lobo nos ensina.
O Lobo tem os sentidos aguçados e a lua é sua aliada. A lua  representa a energia psíquica e do inconsciente.  Preservando os segredos da sabedoria e do conhecimento, ela é o princípio cósmico feminimo cósmico que coordena os ciclos da vida. 
Os índios americanos cultivavam um grande respeito pelos lobos. No xamanismo, o Lobo simboliza amor,  inteligência, sabedoria e cura. É o arquétipo do professor. É aquele que sai pelo mundo, aprende coisas novas e volta ao seu clã para partilhar e ensinar o que aprendeu.
Foi o lobo que ensinou aos humanos a arte viver em harmonia. Foi ele que nos ensinou a viver em comunidade, pois possui o conhecimento intuitivo da ordem no meio do caos e a habilidade de sobreviver às mudanças.
Mais do que qualquer outro animal, o lobo representa o lado selvagem e indomado da vida. Demonstra algo que, lá nos recônditos do nosso inconsciente, nós humanos desejamos. 

Today near eventime I did lead
the girl Who has no seeing
a little way into the forest
where it was darkness and shadows were.
I led her toward a shadow
that was coming our way.
It did touch her cheeks
With its velvety fingers.
And now she too
does have likings for shadows.
And her fear that was is gone.

(Hoje quase ao anoitecer levei
a menina que não vê
um pouco pela floresta adentro
onde estava escuro e havia sombras.
Levei-a até uma sombra
que vinha na nossa direção.
A sombra tocou-lhe o rosto
com seus dedos de veludo.
E agora também a menina
veio a gostar das sombras.
E o medo que existia passou.)

(Opal Whitely)

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Rudá e o Canto do Pássaro

"Levar tua atenção a uma pedra, a uma árvore ou a um animal não significa pensar neles; significa simplesmente percebê-los; dar-se conta deles. Então, algo te é transmitido de sua essência. Sentes profundamente que descansas no Ser, completamente unificado com o que és e onde estás. E aí tu também entras num lugar de profundo repouso dentro de ti mesmo." (Ekhart Tolle, O Poder do Agora)

"Nosso verdadeiro lar está no momento presente. Viver o momento presente é um milagre." (Thich Nhat Hanh, Vivendo em Paz)



Estava eu conversando com um amigo, enquanto vigiava os movimentos de Rudá, meu neto de 2 anos. Não me lembro bem sobre o que conversávamos, só lembro que estava distraída, sem saber que estava distraída…
De repente, a vozinha de Rudá me acorda da minha distração: “Ola (olha)! Escuta!”
Acompanhando o pedido com um gesto, levantando o dedo e totalmente alerta, a criança se embevecia com o canto de um pássaro, lá fora. Era um canto bonito e Rudá percebeu que ouvir aquele canto era a coisa mais importante a fazer naquele momento. Eu não havia percebido o canto, porque não estava presente 'naquele agora'. No entanto, a consciência do ‘estar distraída’ só veio com o alerta “Ola! Escuta!”
Eu nem sabia que já existia no vocabulário do meu pequeno neto a palavra “escuta”…
Assim são as crianças, zen por natureza, enquanto os condicionamentos que lhes impomos ainda não conseguiram extrair delas o que têm de mais puro.
Ouvir a natureza, prestar atenção aos sons à nossa volta, maravilhar-se com o canto de um pássaro. Coisas simples que qualquer um pode fazer. Coisas simples que dão uma quebra na mente, abrindo um espaço luminoso, um intervalo no pensar. Observar, escutar, sentir, ser.
O pássaro cantava e a criança era só o escutar. Para Rudá era inadmissível que continuássemos falando num momento mágico daquele. Algo era prioritário, esse algo era ouvir, apenas ouvir.
Ah, se todos compreendêssemos o que são essas ‘pausas’ para a alma, nesse tão barulhento mundo! Esquecer tudo por um momento, deixar-se enlevar por um pássaro ou por uma música suave, ou pela contemplação da natureza, isso é vital. Vejo como cada vez mais cedo a infância deixa de ser infância e todo mundo acha normal que seja assim...
É na simplicidade da natureza que a criança aprende as maiores lições sobre a vida.
O monte budista Thich Nhat Hanh recomenda, no livro Vivendo em Paz:

“Temos que ensinar a nós mesmos e a nossos filhos a apreciar as alegrias simples que estão ao nosso alcance. Isso pode não ser fácil nesta nossa sociedade complexa e dispersa, mas é essencial à nossa sobrevivência: sentar na grama com nossos filhos pequenos, mostrar-lhes as florzinhas azuis e amarelas que crescem entre a relva e admirar esse milagre juntos. A educação para a paz começa nesse instante.”

E lembrar sempre que, mesmo como "educadores" dos nossos filhos ("educadores" assim, entre aspas, porque o que nós fazemos com nossas crianças, de um modo geral, está longe de se chamar "educação"), precisamos estar abertos para aprender com eles. Eles são mestres maravilhosos.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Dialogando com a Sombra

Para a reflexão de todos nós, publico este artigo de Marilu Martinelli, muito atual, sobre a sombra. Da Era Medieval aos tempos modernos, a sombra persegue os humanos. "Decifra-me ou devora-me" parece ser o seu jargão. Precisamos decifrá-la, assimilá-la, compreendê-la.
Eis o artigo:

“Olhei, olhei, e vi o seguinte:
Aquilo que pensava ser você
Nada mais era do que eu próprio”

Interrogatório medieval para caça às bruxas
Desde que o mundo é mundo periodicamente existe a chamada caça as bruxas. Por que será? 
Esse movimento de exceção e violência surda ou ativa acontece sempre que uma ou mais pessoas, ou mesmo uma comunidade social perde o rumo de seus propósitos e valores estruturais. É quando individualmente ou coletivamente surgem as tendências a exclusão, violência, disputas e corrupção. Afinal de contas, uma nau sem rumo nem timoneiro acaba afundando. Sob o ponto de vista individual isso acontece quando alguma tendência ou característica de uma determinada pessoa é considerada por ela mesma vergonhosa, perversa ou indigna, e daí, por não querer dialogar com seu lado escuro, sua sombra, não encara os próprios defeitos, conseqüentemente não os supera, e então assume ares de superioridade, como se vivesse em estado de virtude absoluta.  Como essa pessoa acredita que atingiu um estágio mais elevado que as demais, ela se permite externar sua prepotência, que se traduz como resistência a quebra de padrões, ao diferente e surpreendente. Tudo isso porque se sente muito incomodada com a negação do que carrega dentro de si, o lado negro do seu coração. 
Acontece que essa resistência enganosa fortalece os seus defeitos a ponto de se ver obrigada a enxergá-los num determinado momento, e então o conflito se instala. É quando, por não admitir os defeitos em si mesma, projeta-os nos outros. Um grupo de indivíduos com essa problemática contamina uma comunidade, as relações entre eles a partir de então se nutrem da sombra coletiva, e de repente surge a caça as bruxas. É um movimento daninho, que às vezes assume dimensões abomináveis como a perseguição religiosa, a perseguição racial e cultural a negros, índios, ciganos, etc.. Inspira movimentos políticos e sociais violentos e abomináveis como o nazismo, a Klu Klux Klan, os Skin Heads, o terrorismo e a homofobia. 
Uma das caças às bruxas mais conhecidas foi a histeria coletiva que acometeu a comunidade da cidade de Salem nos Estados Unidos, quando inocentes foram mortos devido a uma calúnia levantada por um grupo de adolescentes. 
A caça às bruxas alimenta toda forma de tirania e discriminação, e impõe limites rígidos por temer o poder da livre escolha e a expressão criativa de cada um. O perseguidor sempre abomina o perseguido porque enxerga nele o que não admite ver em si mesmo, e teme perder o poder fictício que crê possuir. O medo do diferente, do desconhecido, e de olhar para si mesmo em profundidade estimula insegurança, rejeição, discórdia, preconceitos e violência de todos os matizes. A caça às bruxas pode surgir de maneira aparentemente inofensiva, às vezes como uma fofoca, uma maledicência venenosa ou irresponsável. Essa é uma maneira sub-reptícia e corrosiva de perseguição que atua nos subterrâneos da mente das pessoas e mina relações interpessoais, enquanto destorce fatos e princípios. A fofoca daninha revela o desespero de indivíduos para provar a si mesmos que seus defeitos não existem, e a crer que as outras pessoas são portadoras deles de forma exponencial. Muitas vezes uma fofoca aparentemente sem importância atinge tamanha força que leva à destruição de parcerias, sonhos e projetos grandiosos. Por outro lado, a fofoca geralmente surge da inveja e do medo, mas também da falta de transparência de intenções e da ambigüidade e dubiedade de atitudes daquele que é alvo dela. 
luz e trevas, a eterna dualidade
Tudo isso nos mostra o quanto é importante o autoconhecimento, a coragem e a honestidade, a vivência dos valores humanos, enfim. As transformações pessoais começam pelo diálogo com a própria sombra. Pois é das trevas que nasce a luz. Esse é o modo de abrir portais interiores para a compreensão e aceitação de si mesmo, e das potencias negativas e positivas que carregamos.  A partir daí superamos limites e remapeamos os caminhos da alma. Isso descontamina o olhar e redefine nosso comportamento, a compreensão do semelhante, além de definir novos ideais e atitudes perante a vida. . Encarar a própria sombra pode transformar adversários em aliados e aproximar pelo coração aqueles que se sentem acuados, e por isso preferem construir trincheiras a compartilhar idéias e afeto. 
Aceitar que temos um lado escuro, ou pelo menos nebuloso e sombrio é o primeiro passo para superar a tirania do ego vaidoso, manipulador e controlador que alimenta uma constante guerra contra o que acredita que seja uma ameaça. O ego personalidade se alimenta da ignorância espiritual, por isso oscila entre preferências e aversões radicais, gerando separatividade e agressividade. O exercício das praticas previstas em todas as tradições espirituais leva à vivência natural e diária dos valores humanos. Esses valores então revelam o esplendor da nossa humanidade, e abrem portais interiores que nos convocam para agir em parceria, como competentes, corajosos e amorosos agentes de transformação. Então, o divino em nós se revela, ilumina a sombra e permite o compromisso do corpo, da mente e do espírito com a Verdade.

“Todos os opostos compartilham uma identidade implícita. O ter e o não-ter surgem juntos, o difícil e o fácil complementam-se, o comprido e o curto contrastam-se, o alto e o baixo apóiam-se um no outro. Não se concebe a existência da Terra sem a existência do Céu, nem do princípio negativo sem o positivo. No entanto, as pessoas continuam a julgar e a discutir; tais pessoas são tolas ou ignorantes. Não compreendem os princípios do universo, nem a natureza complementar de toda a criação”. (Lao Tze)

Marilu Martinelli
(Atriz, jornalista, escritora, educadora, professora de Mitologia Universal e Filosofia Oriental, consultora para formação do  Educador em Valores Humanos e Formação de Lideranças Empresariais e Gerenciamento em Valores. Professora da Unipaz e Unibem. Especialista em  Desenvolvimento Humano. Professora convidada da Universidade Católica de Arequipa e Universidade Federal de Lima - Peru. Professora convidada da PUC - SP. Site: www.marilumartinelli.com.br; e-mail: gayatri@hotmail.com) 



sábado, 11 de fevereiro de 2012

Seu Papel Diante das Mudanças dos Tempos

Recebi esta mensagem e achei importante divulgá-la, dentre tantas que nos chegam e só divulgam o medo e a insegurança diante das mudanças. Devemos nos segurar no positivo, sempre. Devemos desenvolver a fé e a absoluta certeza de que tudo o que nos vem é o melhor para nós.
Transcrevo a mensagem:


Mensagem do Conselho dos 12, através de Selácia - 10 de fevereiro de 2012

Este é um ano de revolução em grande escala – causando um impacto em vocês e em todo o planeta. Um tema comum que vocês irão ver repetidamente, é a necessidade para a humanidade se unir como uma família. Esta necessidade nunca foi mais importante do que agora.

A Nova Terra que vocês querem, não pode se formar com os velhos padrões de disputas, queixas, conquistas e homicídios ao longo dos séculos.

Há muito tempo, as pessoas compreendiam e valorizavam o conceito de comunidade. As pessoas daquela época conheciam o poder da unidade e de ajuda mútua. Em algumas culturas, ameaçadas pelas secas e por outras mudanças climáticas, as pessoas aprenderam que elas poderiam sobreviver através de idéias, apoio e ações coletivas.

Ao invés de brigarem uns com os outros por recursos escassos, eles usavam a sua criatividade conjunta para se adaptarem. Eles compreendiam o poder de um grupo coeso; eles valorizavam o mundo natural e aprenderam a trabalhar com a natureza.

Com a Terra agora colocada em um precipício – o futuro incerto – a humanidade está sendo chamada a recordar estas coisas. Na verdade, uma lembrança está ocorrendo em todo o mundo, provocando um desejo ardente pela comunidade. Pessoas como vocês de todas as esferas da vida estão sentindo isto.

        UM NOVO PARADIGMA DE COMUNIDADE

Sim, um paradigma inteiramente novo de comunidade está em processo de surgir. Vocês são parte vital do processo, aprendendo novas abordagens e dissolvendo velhos padrões. Em seu âmago, há uma compreensão de como a comunidade é importante e o que precisa mudar para criar a Paz na Terra.

Vocês estão codificados como um Transformador Divino para ajudar a criar um mundo mais pacífico e amoroso. No âmago do seu ser, vocês sabem que isto é verdade.

Quando vocês se ligam a este espaço de sabedoria interior, notam como a família humana se tornou desconectada. Vocês observam a desconfiança, o desprezo e o distanciamento. Vocês vêem estas coisas em sua cidade natal, no local de trabalho, no governo e entre os países.

Quando vocês são honestos com vocês, percebem uma desconexão semelhante em seus próprios círculos – incluindo a sua família, colegas e outros associados. Quando podem ser ainda mais honestos, percebem que o seu próprio papel está desconectado. Vocês então buscam a compreensão e o esclarecimento dos padrões ao nível do DNA, baseados no medo, que os levam a se desconectar e a se sentirem separados. Quando vocês fazem este trabalho interno, tornam-se mais livres – despertando para a verdade de sua unidade e sabendo que vocês são amados, não importa o quê.

Se forem como a maior parte das pessoas, querem se sentir mais conectados com outros e com o mundo. Querem ver mais paz e amor expressos nos relacionamentos, nos negócios e entre os países. Vocês sabem que estão vivos agora para fazer uma diferença – mas como? Aqui estão alguns passos que vocês podem dar para ajudar a criar um modelo inteiramente novo para a coexistência na Terra.

SEIS PASSOS PARA DAR AGORA:

1 – Concentrem-se no que os conecta aos outros e no que vocês têm em comum e vocês deixam de ser um espectador que parece separado e diferente... para um ser desperto que aprende a viver plenamente e em harmonia com todos.

 2- Recusem-se a viver a sua vida à sombra de teorias de conspiração e fofocas sobre o que “eles” planejam fazer em seguida para mantê-los escravizados. Vocês são seres poderosos, equipados com uma mente que pode estar focada na bondade e na criação de grandes coisas. Não deixem o seu pequeno ego convencê-los que vocês estão na prisão. Vocês estão livres.

3 – Mudem as questões que estão fazendo. Exemplo: “Quando eles irão resolver isto?” Esta questão não vem do seu eu capacitado, mas de uma mentalidade de vítima. Melhor a questão: “O que eu posso fazer ou não para ajudar a resolver esta situação?”

4 – Evitem ir junto com a multidão. Lembrem-se do seu papel de Transformador Divino – à frente, liderando o caminho. Quando for o momento para agir sobre algo, façam-no com coragem, algo que outros não fizeram ainda – confiem em sua sabedoria interior e ajam.

5 – Ouçam mais, incluindo absorver do universo o que está realmente acontecendo. Quando o seu único canal de entrada é uma estação de notícias baseada no medo, vocês não têm uma idéia clara de quanto progresso está realmente sendo feito. Reuniões de cooperação com debates produtivos não criam tantas manchetes como debates ou reuniões falidas com explosões de raiva.

6 – Não importa como o mundo pareça, não importa como as coisas pareçam sombrias... vocês podem ser um daqueles com uma nova visão. Vocês podem assumir o seu lugar na vanguarda, visualizando um tipo de mundo totalmente novo.

Enquanto vocês continuam a jornada da descoberta de sua natureza divina, nós os envolvemos com o nosso amor e bênçãos. Nós somos O Conselho dos 12.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Origem do Ceticismo

Recebi esta mensagem por e-mail, da minha amiga Annete. Achei muito interessante, por isso estou reproduzindo-a aqui neste blog.
O ceticismo é como uma doença, um vírus. A pessoa não se permite acreditar no que está além dos sentidos, então se fecha a um mundo de possibilidades, duvidando de tudo. 
Falta de "zoom" para dentro. Quando se muda o foco do zoom, um novo horizonte se abre. Este diálogo retrata bem o que se passa na mente do cético:
No ventre de uma mulher grávida estavam dois bebês. O primeiro pergunta ao outro:
- Você acredita na vida após o nascimento? 
- Certamente que sim. Algo tem de haver após o nascimento! Talvez estejamos aqui, principalmente, porque nós precisamos  nos preparar para o que seremos mais tarde. 
- Bobagem, não há vida após o nascimento. E como verdadeiramente seria essa vida, se ela existisse?
- Eu não sei exatamente, mas por certo haverá mais luz lá do que aqui... Talvez caminhemos com nossos próprios pés e comamos com a boca. 
- Isso é um absurdo! Caminhar é impossível. E comer com a boca? É totalmente ridículo! O cordão umbilical nos alimenta. Eu digo somente uma coisa: a vida, após o nascimento, está excluída – o cordão umbilical é muito  curto!
- Na verdade, certamente, há algo depois do nascimento. Talvez seja apenas um pouco diferente do que estamos habituados a ter aqui...
- Mas ninguém nunca voltou de lá, para falar sobre isso. O parto apenas encerra a vida. E, afinal de contas, a vida é nada mais do que a angústia prolongada na escuridão.
- Bem, eu não sei exatamente como será depois do nascimento, mas com certeza veremos a mamãe e ela cuidará de nós.
- Mamãe? Você acredita na mamãe? E onde ela supostamente está?
- Onde? Em tudo à nossa volta! Nela e, através dela, nós vivemos. Sem ela tudo isso não existiria!
- Eu não acredito. Eu nunca vi nenhuma mamãe. Por isso, é claro, que não existe mamãe nenhuma!
- Bem, mas às vezes quando estamos em silêncio, podemos ouvi-la cantando; ou sentimos como ela afaga nosso mundo... Saiba: eu penso que só depois de nascidos nossa vida será mais “real”, pois ela tomará nova dimensão. Porque aqui, aonde  estamos agora, apenas estamos nos preparando para essa outra vida... 
- Será??? Duvido...
(Autor desconhecido)

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

O Caminho de Volta ao Coração

Recentes Descobertas Científicas

Acabo de receber este maravilhoso artigo, enviado por Marilu Martinelli, com o seguinte comentário: 

"A Inteligência do Coração. Os cientistas atestam depois de pesquisas e utilização de tecnologia de ponta, o que as tradições da Índia sempre afirmaram, inclusive que o primeiro órgão a ser formado é o coração (...). O coração é a morada da inteligência do espírito. Como eles podiam saber disso há 5 mil anos é um dos tantos mistérios que envolvem o desenvolvimento do  conhecimento humano...."

 Transcrevo a matéria, na íntegra, assinada por Rebecca Cherry:

"Recentemente, neurofisiologistas ficaram surpresos ao descobrir que o coração é mais um órgão de inteligência, do que (meramente) a estação principal de bombeamento do corpo. Mais da metade do coração é na verdade composto de neurônios da mesma natureza daqueles que compõem o sistema cerebral. Joseph Chilton Pearce, autor de A biologia da Transcendência, chama a isto de 'o maior aparato biológico e a sede da nossa maior inteligência'.

O coração também é a fonte do corpo de maior força no campo eletromagnético. Cada célula do coração é única e na qual não apenas pulsa em sintonia com todas as outras células do coração, mas também produz um sinal eletromagnético que se irradia para além da célula. Um EEG que mede as ondas cerebrais mostra que os sinais eletromagnéticos do coração são muito mais fortes do que as ondas cerebrais, e que uma leitura do espectro de freqüência do coração pode ser tomada a partir de três metros de distância do corpo … sem colocar eletrodos sobre ele!

A frequência eletromagnética do coração produz arcos para fora do coração e volta na forma de um campo saliente e arredondado, como anéis de energia. O eixo desse anel do coração se estende desde o assoalho pélvico para o topo do crânio, e todo o campo é holográfico, o que significa que as informações sobre ele podem ser lidas a partir de cada ponto desse campo.


O anel eletromagnético do coração não é a única fonte que emite esse tipo de vibração. Cada átomo emite energia nesta mesma frequência. A Terra está também no centro de um anel, assim é o sistema solar e até mesmo nossa galáxia … e todos são holográficos. Os cientistas acreditam que há uma boa possibilidade de que haja apenas um anel universal abrangendo um número infinito e interagindo dentro do mesmo espectro. Como os campos eletromagnéticos são anéis holográficos, é mais do que provável que a soma total do nosso Universo esteja presente dentro do espectro de frequência de um único anel.

Isto significa que cada um de nós está ligado a todo o Universo e como tal, podemos acessar todas as informações dentro dele a qualquer momento. Quando ficamos quietos para acessar o que temos em nossos corações, nós estamos literalmente conectados à Fonte Ilimitada de Sabedoria do Universo, de uma forma que percebemos como 'milagres' entrando em nossas vidas.

Quando desconectamos e nos desligamos da sabedoria inata de amor do coração, baseados nos pensamentos, o intelecto refletido no ego assume o controle e opera independentemente do coração, e nós voltamos para uma mentalidade de sobrevivência baseada no medo, ganância, poder e controle. Desta forma, passamos a acreditar que estamos separados; a nossa percepção de vida muda para uma limitação e escassez e temos que lutar para sobreviver.

Este órgão incrível, que muitas vezes ignoramos, negligenciamos e construímos muros ao redor, é onde podemos encontrar a nossa força, nossa fé, nossa coragem e nossa compaixão, permitindo que a nossa maior inteligência emocional guie nossas vidas.

Devemos agora mudar as engrenagens para fora do estado baseado no medo mental que temos sido ensinados a acreditar, e nos movermos para viver centrados no coração. Para que esta transformação ocorra, é preciso aprender a meditar, 'entrar em seu coração' e acessar a sabedoria interior do Universo. É a única maneira, é O Caminho. À medida que cada um de nós começa essa revolução tranquila de viver do coração, vamos começar a ver os reflexos em nossas vidas e em nosso mundo. Esta é a forma como cada um de nós vai criar uma mudança no mundo, criar paz, criar harmonia e equilíbrio, e desta forma, vamos todos criar o Paradigma do Novo Mundo do Céu na Terra."



domingo, 22 de janeiro de 2012

A TV do Nosso Tempo

Às vezes é necessário descer até o fundo do poço para perceber que não há saída lá. Acho que este é o caso da programação televisiva contemporânea. Chegamos aos píncaros da vulgaridade. Mereceríamos o Nobel da baixaria, se existisse.
Mas parece que a luz no fim do túnel está começando a brilhar...
A degradação chegou a um ponto tão crítico que algumas pessoas começam a se movimentar e a organizar protestos.
Os sinais de decadência social estão em todo lugar, a TV é apenas uma das facetas dessa decadência. Visando o lucro e tão-somente o lucro, a TV nivela por baixo sua programação, alegando que produz o que o povo quer ver, e o povo quer ver baixaria. Considero isto de uma estupidez sem tamanho.

A TV não poderia se colocar fora do processo educativo. A responsabilidade dessas emissoras é gigantesca. Meio barato de diversão sem sair de casa, a televisão está em quase todos os lares. Hipnótica, o seu poder de mobilização de massas é assustador. Esse poder utilizado sem escrúpulos nem consciência não pode acarretar outra coisa que não seja um acúmulo de lixo a invadir nossas casas, deseducando, corrompendo os jovens, prestando um desserviço à população.
O povo quer ver baixaria, então mergulhemos todos na baixaria?
O povo pode estar querendo ver baixaria, mas se a inteligência dos produtores não estivesse totalmente focada no dinheiro e no poder, eles saberiam muito bem como apresentar programas de qualidade para elevar o nível de quem gosta de baixarias. Este seria o grande papel educativo da televisão. Responsável, consciente e engajado.
No entanto, manter a turba na mediocridade pode ser útil no processo de manipulação de massas. Do ponto de vista estritamente consumista, a massa manipulada é a que mais interessa, porque não pensa, é passiva. Se não pensa nem desenvolve senso crítico, torna-se um cliente dócil a tudo aquilo que se quer vender (produtos ou idéias).

Disse Confúcio: “Há três métodos para ganhar sabedoria: primeiro, por reflexão, que é o mais nobre; segundo, por imitação, que é o mais fácil; e terceiro, por experiência, que é o mais amargo”.

Estamos ainda, como humanidade, no nível da imitação, para júbilo dos que se mantêm no poder pela manipulação de mentes. Já começamos, porém, a sentir o gosto amargo dessa lama onde querem nos manter.

“Nunca encontrei uma pessoa tão ignorante que não pudesse ter aprendido algo com sua ignorância”, afirmou Galileu Galilei.

Tropeçando e em passo vagaroso, vamos aprendendo com nossa própria ignorância a passar para o nível da reflexão.

Fiquei estimulada ao ver tantos protestos na internet, ultimamente, contra o baixo nível televisivo da nossa mais poderosa emissora.

É a luz no fim do túnel, enfim...

sábado, 7 de janeiro de 2012

O Som do Silêncio


Escrevi na postagem anterior sobre o 9º Trabalho de Hércules, quando ele consegue derrotar as aves ruidosas e devastadoras.

Já paramos para refletir sobre o imenso poder do som?

“No princípio era o Verbo”, diz a Bíblia.


Os Vedas ensinam que todo o universo manifestado foi criado com um único som de uma única sílaba, entoado por Brahma: o sagrado mantra OM.

A tradição hindu nos conta que, há milhares de anos, os sábios e os iogues (também chamados rishis), meditavam nas cavernas onde reinava o silêncio absoluto. Focalizaram suas mentes nos centros de energia do corpo (chacras), tentando captar as vibrações desses vórtices. Daí, em estado de meditação profunda, ouviram 50 diferentes vibrações dos sete chacras. Essas vibrações foram traduzidas vocalmente e transformadas em 50 letras, que deram origem ao idioma sânscrito, o mais antigo idioma da humanidade.

Dessa língua-mãe, surgiram depois todas as outras.

Os antigos iogues tinham plena consciência do poder criador do som. Por isso mesmo, usavam a palavra com parcimônia e sabedoria. Sabiam mergulhar no silêncio profícuo.

O mau uso da palavra nos trouxe ao pântano das aves dissonantes, onde estamos hoje mergulhados até a medula.

A palavra cria, a palavra destrói. O poder do som, que está à nossa disposição para dele fazermos uso como cocriadores da vida, nós o utilizamos para destruir a vida, desarmonizar a vida.

Seguimos gralhando e nem notamos que todos esses sons destoantes lançados ao vento terminam voltando para nós.

Lembrei deste conto de Paulo Coelho, bem a propósito:

“De todas as poderosas armas de destruição que o homem foi capaz de inventar, a mais terrível – e a mais covarde – é a palavra. Punhais e armas de fogo deixam vestígios de sangue. Bombas abalam edifícios e ruas. Venenos terminam sendo detectados. Diz o mestre: a palavra consegue destruir sem pistas. Crianças são condicionadas durante anos pelos pais, homens são impiedosamente criticados, mulheres são sistematicamente massacradas por comentários de seus maridos. Fiéis são mantidos longe da religião por aqueles que se julgam capazes de interpretar a voz de Deus. Procure ver se você está utilizando esta arma. Procure ver se estão utilizando esta arma contra você. E não permita nenhuma destas duas coisas.”

E não esquecer que, por mais ensurdecedor que seja o ruído das aves, nós temos a chave para neutralizá-lo. Hércules não é um mito externo. Hércules é a nossa realidade interna que precisa despertar. Hércules é o homem-deus, o representante de uma nova terra e um novo tempo.

Despertemos nosso Hércules, despertemos! Há tanto a fazer! Afugentemos os pássaros ruidosos com o maior poder que nos foi dado: o poder do som.

E lembremos sempre: é no silêncio e só no silêncio que o Eu Superior se faz ouvir.

Você tem tido tempo de escutar o seu silêncio?

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

2012 e o Ruído das Aves


Enfim, chegou o tão esperado, propalado e profetizado 2012!

Profetas, astrólogos e videntes à parte, basta uma olhadinha nas manchetes dos jornais para constatarmos o óbvio: nosso modelo de civilização está por um fio. Os sinais de falência estão por todos os lados. No entanto, como um cão preso ao osso, ainda tentamos nos sustentar ao insustentável. Nem com respiração boca-a-boca, choque elétrico, traqueostomia ou coisa que o valha nosso sistema se salva.

Ótimo que seja assim. Ou queremos perpetuar essa interminável cadeia de equívocos onde está inserida nossa civilização?


Estamos indo aos trambolhões, como na velha música “eu não vou, vão me levando”. E vamos cada vez mais rápido. Porque o mundo tem pressa. E a própria pressa, a própria agitação já nos impedem de parar e pensar na indagação elementar: “para onde vamos?”. Não sabemos para onde vamos, simplesmente vamos. Como bois para o sacrifício, vamos.

Aqui e ali, no entanto, alguns se soltam da manada e tentam alertar os outros: “Parem! Dêem a volta! Estamos indo na contramão!”.

 Poucos escutam. Muitos dos que escutam, riem. Outros escutam e compreendem, mas já não conseguem voltar – estão comprometidos demais e acorrentados demais ao pegajoso pântano da Matrix.

O pântano, nos trabalhos de Hércules, representa o subconsciente humano e todo o lodo armazenado nele e realimentado com formas-pensamento escuras.

No nono trabalho, diante do pântano, Hércules tenta ouvir sua intuição para descobrir um meio de afastar as aves devastadoras cujo coro dissonante perturba e ameaça a paz. Inspirado pelo eu interno, o herói faz soar repetidamente dois címbalos de bronze. O som potente dos címbalos confunde os pássaros, que fogem para não mais voltar.

O que se capta desta lição é o papel proeminente do som. Pássaros e sons estão ligados ao elemento “ar”. Simbolizam a mente humana. Os pássaros representam o concentrado de pensamentos e palavras negativos, a tagarelice, o falar supérfluo.

O címbalo significa o uso correto do som. Hércules, inteligentemente, utilizou-se do mesmo instrumento (o som) para neutralizar e derrotar o inimigo. Usado de forma correta, o som cria, afastando as forças negativas, inconscientes.

A fala supérflua, a tagarelice, a palavra leviana e sem compromisso com a verdade são fruto da inconsciência. Espalham destruição. Seu ruído ensurdecedor impede que escutemos o som da alma – o címbalo.

Chegamos a 2012 e o ruído das aves está mais forte do que sempre foi. Já não o suportamos.

Mas o Hércules interno continua lá, esperando que pulemos fora da manada e tomemos as rédeas do nosso destino luminoso. 



Psiu! O címbalo está tocando. 


Pare! Silencie! 

Você consegue ouvi-lo?